Alerta da Bélgica sobre imã ligado aos ataques foi informal

Agente da polícia belga contactou um conhecido dos Mossos d'Esquadra a levantar dúvidas sobre o imã marroquino Abdelbaki Es Satty

O governo catalão desmente ter recebido oficialmente qualquer alerta por parte da Bélgica relativamente ao imã marroquino Abdelbaki Es Satty, que se suspeita ser o cérebro dos atentados de Barcelona e Cambrils em que morreram 15 pessoas. Esse aviso ter sido informal, feito com base na relação de amizade que existe entre um agente belga e um outro dos Mossos d'Esquadra, segundo avança hoje o El Mundo.

O ministério do Interior catalão explicou ao diário que não se tratou de um aviso oficial, mas antes de um contacto informal entre dois polícias que se haviam conhecido numas jornadas internacionais sobre a luta contra o terrorismo.

De acordo com o jornal La Vanguardia, o pedido de informações feito por um polícia belga foi feito através dos emails pessoais e não houve nunca um alerta oficial.

O El País acrescenta que o chefe da Unidade de Análise Estratégica, do comando geral de informações da polícia catalã (Mossos de d'Esquadra), Daniel Canals, terá respondido por correio eletrónico às suspeitas da polícia da cidade belga de Vilvoorde, sobre as "possíveis ligações terroristas" de Es Satty.

Já hoje, o ministro do Interior catalão, Joaquim Forn, admitiu esse contacto mas realçou ter-se tratado de uma situação informal. Criticou ainda a atenção mediática dada a esta situação e a "preocupação de alguns meios em diminuir a tarefa dos Mossos e questionar e denegrir o seu trabalho".

A 08 de março de 2016, Canals, "número dois" dos serviços de informações da polícia da Catalunha, respondeu à polícia belga que Abdelbaki Es Satty "não era conhecido", mas que uma pessoa com o mesmo apelido tinha sido investigada por "ligações a extremistas islâmicos" numa outra operação.

Tratava-se de um familiar: Mustafa Es Satty, imã numa mesquita de Vilanova i la Geltrú (Barcelona) e que residiu num apartamento utilizado pelo menos por dois indivíduos implicados nos atentados de 11 de março de 2004, em Madrid.

A eventual falta de atenção das autoridades catalãs a um aviso belga sobre o imã de Ripoll surgiu depois de uma entrevista do autarca da cidade belga de Vilvoorde à agência noticiosa Efe, na qual este diz ter pedido, em 2016, informações às autoridades policiais de Espanha - não indica quais - sobre Abdelbaki Es-Satty.

Nessa época Abdelbaki Es-Satty vivia na cidade belga de Vilvoorde, a 12 quilómetros de Bruxelas. O imã da cidade vizinha de Diegem ter-se-á dirigido ao autarca com algumas duvidas, nomeadamente se existiam antecedentes criminais. "Parecia-lhes um homem estranho, que dizia que vinha de Espanha porque lá não tinha futuro e que se autoproclamava imã, apesar de não ter nenhum papel a comprová-lo", contou o autarca Hans Bonte, citado pelo La Vanguardia.

Tinha estado detido entre 2010 e 2014 por tráfico de droga mas não havia qualquer antecedente ou suspeita de ligação a atos terroristas (apesar de um primo ter sido detido em 2006 quando foi desativada uma célula terrorista em Vilanova i la Geltrú, na província de Barcelona). Mesmo assim, a comunidade muçulmana local decidiu expulsar Abdelbaki Es-Satty da mesquita.

Ontem, o ministro do Interior espanhol, Juan Ignacio Zoido, indicou que nem a Guarda Civil nem a Polícia Nacional foram alertadas pelas autoridades belgas. "Segundo tenho conhecimento neste momento, nem a Guarda Civil nem a Polícia Nacional receberam qualquer comunicação das autoridades belgas. O mais importante é que as investigações abertas possam completar-se quanto antes", disse em Paris, onde esteve reunido com o homólogo francês, Gérard Collomb. Ali defendeu precisamente uma maior partilha da informação na Europa.

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