Alemanha quer eliminar glifosato até 2023

O produto químico é o centro de milhares de processos judiciais devido às suspeitas que recaem sobre os efeitos nocivos que tem para a saúde. Há outros países onde o uso deste herbicida já é proibido.

O glifosato, herbicida associado suspeito de causar cancro nos humanos, deverá ser banido da Alemanha até ao final de 2023. Segundo o The Guardian , o governo alemão espera apenas pelo período determinado pela União Europeia para o final da sua aprovação, em 2022.

A moção foi lançada por biólogos, que justificam a morte de populações de insetos com a utilização deste produto químico tão polémico. Os especialistas reforçam a importância destes animais para o ecossistema, para as cadeias alimentares e para a polinização de plantas.

E "o que prejudica os insetos também prejudica as pessoas", disse a ministra do ambiente alemã. Svenja Schulze acrescentou que, no futuro, a fruta pode tornar-se um luxo. "O que precisamos é mais zumbido e zumbido", acrescentou Schulze, enfatizando que "não vale a pena viver um mundo sem insetos".

Numa primeira fase, a começar já no próximo ano, o governo alemão irá banir o glifosato de parques da cidade e em jardins privados. Ao mesmo tempo, o uso de herbicidas e inseticidas passará a ser proibido em áreas ricas em espécie e nas margens de rios e lagos.

Mas a Alemanha não é pioneira nesta decisão. Já em julho a Áustria tornou-se o primeiro membro da União Europeia a proibir o recurso a glifosato. Outros países como a República Checa, a Itália e a Holanda decidiram restringir o uso. Também França o assunto está a ser debatido, apontando a extinção do produto também em 2023.

Em Portugal, a utilização de glifosato não é proibido, embora haja pelo menos 16 dos 308 municípios portugueses que decidiram bani-lo das zonas urbanas. É o herbicida mais usado no país para matar ervas daninhas.

Só nos EUA, a farmacêutica alemã Bayer enfrenta mais de 18 mil processos judiciais contra o herbicida com glifosato da filial Monsanto. O grupo já foi condenado três vezes a indemnizar doentes com cancro, cuja origem da doença recai sobre a exposição ao produto químico. A primeira condenação ocorreu num tribunal de São Francisco, onde a Monsanto ficou obrigada a pagar 290 milhões de dólares (255 milhões de euros) por esconder os perigos do herbicida Roundup, depois de suspeitas de que estaria na origem do cancro de um jardineiro.

Decisões das quais a Bayer pretende contestar, argumentando que não há provas de que o glifosato seja perigoso para a saúde.

Contudo, em 2015, a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC), da Organização Mundial de Saúde (OMS), classificou mesmo o glifosato como "carcinogéneo provável para o ser humano", acrescentando que os testes provocaram cancro em animais de laboratório.

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