Alemanha com medidas restritivas mais apertadas. Estádios sem público até final de 2020

Vão ser permitidas "exceções" em regiões onde a taxa de infeção for baixa durante, pelo menos, uma semana. Com o aumento de casos de covid-19, o Governo de Angela Merkel pretende aplicar medidas mais restritivas para travar a propagação do vírus.

A Alemanha estendeu a proibição de público nos estádios até ao final de 2020, como medida restritiva à pandemia de covid-19, numa altura em que o país regista cerca de 1500 novos casos por dia, foi anunciado nesta quinta-feira.

Esta medida constitui um rude golpe para os clubes de futebol de todo o país, que esperavam poder começar a trazer parcialmente os seus adeptos de volta aos estádios na nova época, que começa a11 de setembro com os jogos da Taça da Alemanha.

No entanto, "exceções" serão permitidas em regiões onde a taxa de infeção for baixa durante pelo menos uma semana, e "se for garantido que os participantes vêm exclusivamente dessa região ou de regiões vizinhas" onde a propagação do vírus seria também contida.

A Liga Alemã de Futebol (Bundesliga), em cooperação com a federação, apresentou na quarta-feira um projeto que permitia o regresso parcial de público aos estádios e que incluía bilhetes nominativos para permitir o rastreio em caso de contaminação.

O próprio ministro do Interior e Desporto, Horst Seehofer, defendeu o regresso dos adeptos aos recintos desportivos.

"A população não entende que muitas pessoas podem mover-se num espaço confinado, mas que uma partida de futebol com poucos espectadores afastados uns dos outros não é possível", afirmou Horst Seehofer ao jornal Augsburger.

Medidas restritivas mais apertadas

O Governo de Angela Merkel, perante a atual situação da pandemia do novo coronavírus, decidiu, no entanto, apertar as restrições à população alemã e estender a proibição de público em estádios, espaços culturais, festivais ou feiras.

As autoridades também irão fortalecer os mecanismos necessários para garantir que os períodos de quarentena sejam respeitados, e se assim não for, aplicarão pesadas multas.

Mesmo que a propagação do vírus seja "atualmente ainda significativamente inferior ao pico atingido em março e abril", as autoridades alemãs apontam para o facto de, "nas últimas semanas, o número de infeções ter aumentado novamente".

Devido à atual situação epidemiológica, a chanceler alemã tem estado em conversações com os líderes dos 16 estados federados para que se consiga chegar a um acordo sobre um pacote de novas medidas a aplicar em todo o país.

As negociações têm como objetivo conseguir uma resposta concertada para travar a disseminação do vírus.

De acordo com a AFP, as novas medidas irão incluir uma multa mínima de 50 euros para quem for apanhado sem máscara nos locais onde o uso é obrigatório, como lojas e transportes públicos. A Alemanha também pretende estender a proibição de grandes eventos até 31 de dezembro.

Em relação às reuniões dentro de casa, as autoridades querem impor um limite de 25 pessoas.

Refira-se que a Alemanha, no início deste mês, impôs testes obrigatórios gratuitos para viajantes que regressem de áreas de alto risco e testes voluntários gratuitos para aqueles que voltam de outros lugares.

O país regista cerca de 1500 novos casos por dia, o maior número desde o final de abril. O recorde foi estabelecido com 6000 novos casos no início de abril.

A mobilidade em tempo de férias associada ao aumento de casos

O Governo alemão refere que "a habitação coletiva, os eventos, as celebrações e a mobilidade associada às férias são particularmente propícios à propagação do vírus" e recorda que "este aumento nos meses de verão deve ser levado especialmente a sério".

A Alemanha teve 237 936 casos (mais 1507 nas últimas 24 horas) de covid-19 e 9285 mortes (mais 5), de acordo com o instituto Robert Koch.

Perante a continuação da pandemia, o Governo anunciou também na quarta-feira a prorrogação das ajudas às empresas e aos trabalhadores dado o impacto económico, nomeadamente com a prorrogação do regime de desemprego parcial para dois anos.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 820 mil mortos e infetou mais de 23,9 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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