Alemães consideram tremores de Merkel um assunto "privado"

Em menos de um mês, a chanceler que fará 65 anos a 17 de julho foi vista em três ocasiões a tremer em público.

A maioria dos alemães considera que o estado de saúde da chanceler Angela Merkel é um assunto privado, segundo uma sondagem publicada este sábado pelo jornal Augsburger Allgemeinen.

Na quarta-feira, e pela terceira vez num mês, a chanceler alemã foi vista a tremer em público, numa cerimónia oficial ao lado do primeiro-ministro finlandês, Antti Rinne. No dia seguinte, na receção à primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, Merkel optou por quebrar o protocolo habituar e assistir sentada às honras militares.

Segundo a sondagem da empresa Civey, 59% dos inquiridos consideram que os tremores são um assunto privado de Merkel. Questionados sobre se a chanceler devia "dar informações públicas detalhadas sobre a sua saúde ou se este era um tema privado", só 34% dos inquiridos consideram que o seu estado de saúde é uma informação de interesse público. Os restantes 7% disseram-se indecisos. A maioria dos que pensam que o tema devia ser público disseram votar na extrema-direita da Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla original).

A primeira vez que Merkel sofreu tremores em público foi a 18 de junho, na receção ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tendo sido alegado na altura que tinha sofrido um golpe de calor. A segunda vez foi a 27 de junho, num evento com o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier. O porta-voz de Merkel garantiu sempre que ela estava "bem".

A própria Merkel quebrou desta vez o silêncio: "Disse recentemente que estou a ultrapassar o que aconteceu durante as honras militares com o presidente Zelensky. Este processo ainda não está terminado, mas há progressos e devo viver com isso por um tempo, mas estou muito bem e não precisam se preocupar comigo", acrescentou. "Acredito que, tal como aconteceu um dia, também vai desaparecer. De resto, estou convencida de que consigo [fazer o meu trabalho]", concluiu.

Merkel, que faz 65 anos a 17 de julho, é chanceler desde 2005 e já disse que não se recandidata a mais um mandato, nas eleições previstas para 2021.

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