Aeroporto de Colónia/Bona retoma atividade normal após incidente

Aeroporto esteve parcialmente paralisado depois de ter sido detida uma pessoa que terá conseguido passar para a zona de segurança sem qualquer controlo

A atividade do aeroporto de Colónia/Bona está a regressar à normalidade após a polícia ter paralisado hoje um terminal ao detetar que uma pessoa se tinha introduzido na zona de segurança sem atravessar os respetivos controlos.

A polícia federal, competente na autoridade aeroportuária, confirmou a detenção do homem que provocou o caos no Terminal 1 do complexo, mas não explicou os detalhes do incidente.

Diversos media alemães, baseados em testemunhos no local, referiram que a pessoa em questão foi um passageiro que saltou os controlos de segurança por chegar tarde ao seu voo, uma versão não confirmada pela polícia.

Após detetar o falhanço na segurança aeroportuária, a polícia decidiu isolar totalmente o Terminal 1, para voltar a revistar todas as pessoas que já se encontravam na zona de segurança.

Cinco aviões deste terminal que já avançavam para a pista de descolagem foram ainda forçados a regressar à posição de embarque para um novo controlo de segurança dos passageiros a bordo, afirmou o porta-voz policial.

Uma unidade de cães-polícia também revistou o terminal e os aviões abrangidos, em busca de explosivos, revelou o Rheinische Post.

Um porta-voz do aeroporto indicou por sua vez que as medidas de emergência não afetaram os restantes terminais nem a maioria dos aviões que tinham previsto aterrar no aeroporto de Colónia/Bona.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...