Aécio aposta que Temer cai com Dilma

Mesmo que a presidente se salve no impeachment, líder da oposição tem plano B para chegar ao poder mais rapidamente

Aécio Neves, presidente do PDSB e candidato derrotado por Dilma Rousseff, do PT, nas eleições de 2014, vai apostar num plano alternativo para chegar ao poder, independentemente da presidente cair durante o processo de impeachment. O senador tucano aposta todas as fichas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode considerar que a campanha da lista composta por Dilma e por Michel Temer, do PMDB, beneficiou de dinheiro ilegal irrigado do escândalo do Petrolão.

Caso o TSE dê sequência a essa decisão - para já, os juízes que o compõem estão a analisar as provas - não apenas Dilma, a presidente, como também Temer, o vice-presidente, seriam destituídos, abrindo caminho para que Aécio, na qualidade de segundo mais votado em 2014, subisse ao Palácio do Planalto - há jurisprudência no país a basear esta hipótese. O processo de impeachment que corre no Congresso neste momento, baseado nas "pedaladas fiscais", ou seja, manobras orçamentais cometidas pelo governo em 2014 e 2015, se prosperar derruba apenas Dilma e não Temer. E o "vice" assumiria o governo pelo menos até 2018, ano das próximas presidenciais.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Aécio verbalizou a sua estratégia ao colar Temer "aos erros de um governo que fez o país recuar 20 anos" e ao sublinhar que "não faz sentido o vice-presidente desvincular-se da ação que corre no TSE". Reportagem do jornal O Globo cita o líder parlamentar tucano Cássio Cunha Lima a esse propósito: "O impeachment está difícil, o TSE é a nossa salvação."

Nem a todo o PSDB, no entanto, agrada esta estratégia. O senador José Serra, duas vezes derrotado em presidenciais mas ainda com ambições de chegar ao Planalto, já terá um acordo para integrar um governo liderado por Temer numa pasta relevante que o catapultaria à condição de candidato da oposição em 2018. Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo, também prefere esperar dois anos para disputar a eleição, uma vez que sabe que Aécio, neste momento, com a memória no eleitorado da derrota tangencial nas eleições de 2014, seria o candidato óbvio do partido.

São Paulo

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