Adolescente sueca foi resgatada do Estado Islâmico pelos curdos

Aos 16 anos, Marilyn Nevalainen está à espera de voltar à sua Suécia natal depois de meses a viver no meio dos jihadistas do Estado Islâmico. Diz que foi enganada pelo namorado, com quem viajou para o Iraque. Da relação nasceu um filho

Marilyn Stefanie Nevalainen, a adolescente sueca resgatada ao Estado Islâmico no Iraque, contou que a vida junto aos jihadistas era "muito dura" e que foi enganada pelo namorado, que conheceu em meados de 2014 depois de abandonar a escola, e convencida a ir para lá.

"Primeiro estávamos bem, mas quando ele começou a ver vídeos do Estado Islâmico, a falar sobre eles e coisas do género...", disse a jovem de 16 anos, na sua primeira entrevista desde que as forças curdas a resgataram. "Então ele disse que queria juntar-se ao Estado Islâmico e eu disse OK, sem problemas, porque eu não sabia o que era aquilo, o que era o islão... nada", lembrou Marilyn à Kurdistan 24, um canal de televisão curdo.

O casal, que terá oficializado a relação numa cerimónia muçulmana no início de 2015, partiu da Suécia no final de maio e atravessou a Europa - passando por países como a Dinamarca, Alemanha, Hungria, Eslováquia e a Sérvia - de autocarro e comboio até chegar à fronteira turca na província de Gaziantep, a partir de onde entraram na Síria.

Daí, militantes do Estado Islâmico "meteram-nos" num autocarro com outros homens e mulheres em direção à cidade de Mossul, já no Iraque, e arranjaram-lhes uma casa, que não tinha água ou eletricidade. Marilyn estava grávida do filho do casal, que nasceu em outubro.

"Eu não tinha dinheiro, era uma vida muito dura", recordou ainda a jovem, apresentando atualmente um ar calmo e saudável. "Quando tive um telefone comecei a contactar a minha mãe disse que queria voltar para casa", prosseguiu.

A adolescente, que foi resgatada no passado dia 17, encontra-se atualmente na região curda do Iraque e será entregue às autoridades da Suécia.

Sorrindo ocasionalmente, Marilyn Stefanie Nevalainen comparou, na entrevista à Kurdistan 24, comparou a vida junto ao Estado Islâmico à vida na Europa. "Na Suécia temos tudo e quando eu estava lá não tínhamos nada", recordou.

Finais infelizes

Nos últimos dois anos, foram mais de cinco centenas as raparigas ocidentais que viajaram para a Síria para se juntar ao Estado Islâmico. Uma das que ganhou mais fama foi a austrúaca Sabra Kesinovic, de 17 anos. Conhecida como a poster girl do grupo por surgir em vários vídeos de propaganda, acabou por ser apanhada a tentar fugir de Raqqa, tendo sido espancada até à morte pelos militantes.

Enfeitiçadas pela propaganda do Estado Islâmico, muitas destas jovens noivas da jihad decidem deixar para trás a família e os amigos para se juntar aos extremistas sunitas, sendo casadas logo à chegada ou usadas como escravas sexuais. Poucas regressam com vida.

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