Académico acredita que 100 dias de Trump dão esperança à esquerda

O académico luso-americano Ruy Teixeira, que lançou um livro sobre as razões que a esquerda tem para ter esperança, diz que os primeiros 100 dias da presidência de Donald Trump são um bom sinal para a esquerda.

"As razões para ser otimista incluem os factos inegáveis de que Trump, e o que ele está a tentar fazer, são muito impopulares historicamente, e isso compromete a sua capacidade de fazer cumprir a agenda a que se propõe", defendeu o investigador à agência Lusa.

Ruy Teixeira trabalha na "The Century Foundation", um importante grupo onde nascem muitas das políticas do partido Democrata, e lançou em março o livro The Optimistic Leftist: Why the 21st Century Will Be Better Than You Think (A esquerda otimista: porque o século XXI vai ser melhor do que espera).

Teixeira acredita que alguns dos falhanços da nova administração da Casa Branca, os níveis de aprovação do Presidente Trump e a resistência popular mostram que a esquerda tem formas de lutar, mesmo sem controlo do Congresso.

"De forma grave para ele, Trump não tem sido capaz de reverter alguns avanços da esquerda, como tinha prometido, em particular no caso do Obamacare. Os ganhos da esquerda tendem a ser resistentes", explica o luso-americano.

Ruy Teixeira acredita que, até 2018, quando os americanos regressam às urnas para escolher alguns dos seus representantes na Câmara dos Representantes e no Senado, "vão existir muitos alvos fáceis vindos da administração Trump."

"Eles vão dizer e fazer coisas que atacam diretamente estas pessoas [que votaram Republicano]. Estes eleitores achavam que Trump ia resolver os seus problemas. Isto deve ser algo a que a esquerda se deve agarrar com tenacidade e não afastar estes eleitores como sendo reacionários em relação a temas como imigração ou racismo", explica.

Para o especialista, "quando as coisas não melhorarem, e sob muitos aspetos piorarem, isso será uma abertura" para o partido Democrata.

Ruy Teixeira é um dos coautores do livro The Emerging Democratic Majority, em que defende que os democratas estão destinados a ser uma maioria devido à evolução demográfica do país e que foi selecionado pela The Economist como um dos livros do ano em 2002.

Dois anos antes, no entanto, Teixeira tinha escrito America's Forgotten Majority, um livro sobre o poder que a classe branca trabalhadora ainda detém na política americana, e que viu a sua tese provada na eleição de novembro.

"Deixámos muito claro que, para esta nova coligação, ter sucesso tinha de manter um forte apoio da classe branca trabalhadora. Acho que a esquerda tem de ser muito clara em como conseguir [esse apoio] e não confiar numa mudança demográfica ou no sofrimento das pessoas para o conseguir", diz.

É esse trabalho que o partido Democrata tem procurado fazer desde a sua derrota eleitoral, sob uma nova direção, e Teixeira pretende contribuir com o novo livro.

"Parte do que estou a tentar fazer é iniciar uma conversa mais ampla sobre onde estamos enquanto país, para onde caminhamos e tentar convencer a esquerda de que tem de ser um movimento mais confiante e otimista", diz.

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