Abdool Vakil: "As pessoas perguntam, há preocupação"

Presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdool Vakil prefere esperar para que tomem iniciativas contra a medida decretada por Donald Trump, até em concertação com dirigentes islâmicos que vivem em outros países.

Como é que a comunidade islâmica está a reagir à proibição de entrada de cidadãos de países muçulmanos nos EUA?

As pessoas perguntam, há preocupação, claro, mas felizmente não temos conhecimento de alguém que tenha sido afetado por essa medida. Pode haver pessoas que, por qualquer motivo, por serem muçulmanas, sejam impedidas de entrar nos EUA, mas não temos conhecimento de algum caso.

A medida poderá afetar a comunidade portuguesa?

Penso que não e espero que não. Temos de ter calma, ter esperança de que as coisas vão entrar no lugar. A medida acaba de ser tomada, é tudo muito recente, pode ser que tudo acabe por voltar ao lugar certo. A esperança é a última coisa a morrer e não deve ser possível isto durar muito tempo.

Mas estão preocupados.

Claro que estamos preocupados com o que se vai passar, eu próprio. Tenho uma filha nos EUA e vou lá regularmente, ainda no final do ano passado fiz essa viagem. Não irei nos tempos mais próximos, mas é claro que vou voltar aos EUA. E como eu, muita gente.

Têm medo que possam existir mais imposições?

É melhor não falarmos muito, não vale a pena precipitarmo-nos nas conclusões, se Deus quiser isto pode acalmar. Donald Trump precipitou-se, não devemos fazer como ele.

Está fora de hipótese convocarem ações de contestação?

Nesta altura não vamos fazer nada. Vamos ver o que se vai passar. Estamos em contacto com outras comunidades muçulmanas no estrangeiro e, provavelmente, poderemos tomar alguma decisão conjunta. Ainda não falei com o imã nos EUA, que é muito meu amigo e já veio várias vezes a Portugal. Pode acontecer que, com mais calma, consigamos concertar iniciativas contra estas medidas. Para já, não vale a penas estarmos com manifestações e coisas do género, a comunidade portuguesa é uma comunidade calma.

Quando pede tempo, significa que acredita que a medida não vai durar muito tempo?

Não sei, vamos esperar. Há muitas pessoas, peritos, governantes de vários países, a manifestaram-se contra Donald Trump e as medidas que tomou, vamos ver.

Outra das consequências é o não acolhimento de refugiados, apoio que a comunidade está bastante envolvida.

Atuamos de acordo com os nossos valores, com os valores portugueses, com os valores europeus. Os portugueses têm dado provas da sua capacidade para uma boa integração de quem vem de fora, também para com os refugiados. E esse trabalho continuará a ser feito.

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