A história da fotografia espontânea que já é um ícone de resistência

À medida que a extrema-direita ganha força nos países nórdicos, esta fotografia de uma mulher que agiu "por impulso" corre mundo

Este domingo, trezentos neonazis marchavam, fardados, pelas ruas de Borlänge, na Suécia, e Tess Asplund, de 42 anos, não admitiu. "Esta a pensar: não, não podem marchar aqui! Estava cheia de adrenalina. Nenhum nazi vai marchar aqui, não pode ser", disse Asplund ao jornal The Guardian. E com isso, entrou na rua onde a manifestação neonazi decorria, ergueu o punho fechado num gesto de protesto e, sem que se apercebesse, foi capturada por David Lagerlöf numa imagem que se está a tornar num ícone da resistência à extrema-direita.

A fotografia começou a circular pelas redes sociais após ter sido partilhada pelo próprio fotógrafo, associado ao grupo antirracista sueco Expo. Depois chegou aos meios de comunicação suecos, e só segunda à noite, quando Tess Asplund já estava de volta na sua cidade natal de Estocolmo, é que a protagonista da imagem se apercebeu de que se tinha tornado numa espécie de símbolo. Com o seu braço direito estendido e punho fechado, num gesto associado ao movimento norte-americano Black Power dos anos 1960 e 70, Asplund opõe-se ao grupo neonazi (cuja saudação se faz com a mão aberta e os dedos estendidos).

"Isto agora é um circo. Estou em choque", contou ao The Guardian. Asplund mede apenas um metro e sessenta e pesa 50 quilos, e a sua pequena estatura fê-la temer ser reconhecida e atacada mais tarde como um alvo fácil. "Quero paz e sossego. Aqueles homens são grandes e loucos".

O partido anti-imigração dos Democratas Suecos (não associados com o grupo neonazi que marchou em Borlänge) tem entre 15 e 20 por cento do apoio popular em sondagens recentes. O grupo neonazi que marchou na cidade de Borlänge, o Movimento da Resistência Nórdica, por sua vez, é abertamente antissemita e racista.

"O racismo agora está normalizado na Suécia", afirmou Asplund ao The Guardian. "Espero que alguma coisa positiva possa vir desta imagem. Talvez o que eu fiz se possa tornar num símbolo de que podemos fazer qualquer coisa - se uma pessoa pode fazê-lo, qualquer pessoa pode".

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