A América tem um ano para escolher o sucessor de Obama

De hoje a exatamente um ano, no dia 8 de novembro de 2016, os americanos vão às urnas para escolher o sucessor de Barack Obama na presidência

Do lado democrata, uma superfavorita Hillary Clinton. Do lado republicano, uma multidão de candidatos em que o milionário Donald Trump continua a manter a vantagem nas sondagens. De hoje a exatamente um ano, no dia 8 de novembro de 2016, os americanos vão às urnas para escolher o sucessor de Barack Obama na presidência. Mas a campanha já há muito começou. As primárias, essas, começam em fevereiro, no Iowa

Falta um ano exato para as presidenciais americanas, mas já estão em campanha?

Já estão em campanha há muito tempo. Nos Estados Unidos os candidatos e as suas equipas começam as campanhas dois anos antes das eleições, mas a recolha de dinheiro e o estudo do eleitorado até começa bem antes disso.

Na prática o que se segue agora na contagem decrescente para a saída de Obama?

Os debates entre candidatos democratas e entre candidatos republicanos já começaram, mas o processo para as presidenciais vai ganhar balanço em 2016, quando Iowa e New Hampshire lançarem as primárias. As votações para a escolha do candidato de cada um dos partidos costuma começar em janeiro, com os chamados caucus (assembleias populares) do Iowa, mas desta vez teremos de esperar até 1 fevereiro para aquele estado do Midwest reclamar todas as atenções e se tornar o centro de todas as notícias.

E quando ficamos a saber quem é o candidato republicano e o democrata?

Se as primeiras primárias são importantes para definir tendências, teremos de esperar até à primeira Super Terça-Feira - 1 de março -, quando vão a votos 11 estados. Isto mesmo se Ohio e Florida - dois swing states (aqueles estados que balançam para um lado ou para o outro) sempre considerados decisivos para as aspirações presidenciáveis - só vão às urnas a 15 de março. Por essa altura já se deve ter uma ideia de quem é o claro favorito do lado democrata e do lado republicano. A escolha final de cada partido terá lugar nas respetivas convenções: a 18 de julho em Cleveland para os republicanos e a 25 de julho em Filadélfia para os democratas.

Neste momento quem são os candidatos?

Do lado democrata é mais fácil. Hillary Clinton é a clara favorita. Depois de ter perdido a nomeação para Barack Obama em 2008, a ex-primeira- -dama e ex-secretária de Estado evitou alguns erros de há oito anos: tem-se mostrado mais humana, mais próxima do eleitor e tem mantido o marido, o ex-presidente Bill Clinton, afastado da campanha. E nem um escândalo devido ao uso do e-mail pessoal quando chefiava o Departa-mento de Estado parece capaz de lhe tirar a nomeação. Isto apesar de o senador do Vermont Bernie Sanders, um autodenominado socialista, ter causado surpresa ao conseguir bons resultados nas sondagens no Iowa e no New Hampshire. Depois das desistências de Jim Webb e Lincoln Chafee, a corrida democrata é agora a três, com o ex-governador do Maryland Martin O" Mal- ley. Do lado republicano é tudo muito mais complicado...

Mas não há um favorito republicano?

Na verdade, não. Jeb Bush começou como favorito entre uma multidão de candidatos (chegaram a ser 18), mas depressa o magnata Donald Trump dominou todas as sondagens muito graças a uma campanha milionária, a uma atitude tão segura de si que se confunde com arrogância e a declarações polémicas sobre assuntos como os imigrantes - para ele os ilegais mexicanos são "criminosos ou violadores". Neste momento parece cada vez mais difícil que o ex-governador da Florida consiga pôr o terceiro Bush na Casa Branca, sobretudo depois de o último debate em que Marco Rubio, senador do mesmo estado, surgiu como vencedor e deu novo fôlego à sua campanha. Enquanto os políticos profissionais - como Bush, Rubio, mas também os governadores de Nova Jérsia, Chris Christie, e da Virgínia, Bobby Jindal, ou os senadores Rand Paul, Ted Cruz - lutam por se impor perante a desconfiança dos eleitores, os outsiders têm marcado a campanha. Além de Trump, também o neurocirurgião Ben Carson ou a ex-CEO da Hewlett-Packard Carly Fiorina já foram apontados como nomes a ter em conta.

Hillary vs. Trump é um cenário possível?

Do lado republicano neste momento todos os cenários parecem possíveis. E a verdade é que Trump continua a liderar as sondagens republicanas a nível nacional.

OK, em julho são conhecidos os candidatos de cada partido. E depois?

Por acaso até costuma ser antes - uma vez que muitas vezes o candidato já está definido antes da convenção - mas pelo menos nessa altura são conhecidos os candidatos a vice-presidente (a dupla forma, o ticket de candidatos). Normalmente a escolha recai sobre alguém que complete o perfil do candidato. Por exemplo, em 2008, o jovem mas menos experiente Obama escolheu o veterano Joe Biden para seu parceiro, enquanto John McCain, senador há muitos anos e herói do Vietname, escolheu a governadora do Alasca Sarah Palin como vice, apostando no eleitorado feminino e mais jovem.

E vai haver mais debates?

Vai. Estão previstos dois debates entre candidatos presidenciais e um debate entre os candidatos a vice-presidente. Todos eles em outubro de 2016.

Porque é que os americanos votam sempre à terça-feira?

No século XIX, na América rural, muitos eleitores precisavam de um dia a cavalo ou de carruagem para chegar ao local de voto, um dia para votar e um para regressar. Como sexta, sábado e domingo eram dias de culto, restava a terça ou a quarta. A segunda foi eliminada por ser dia de mercado. Sobrou a terça-feira. Mas mais, os americanos votam sempre na primeira terça-feira depois da primeira segunda-feira de novembro. A data oscila por isso entre 2 e 8 de novembro. Para o ano as eleições calham no último dia possível.

E votam só para o presidente?

Não. Além do presidente, nesse dia os americanos vão escolher todos os 435 membros da Câmara dos Representantes e um terço dos cem senadores. Isto além de 12 estados elegerem o seu governador, tal como Porto Rico e a Samoa Americana. No dia das eleições, muitos estados realizam também referendos sobre os mais variados assuntos. Aliás, na verdade os americanos não votam no presidente diretamente: a 8 de novembro cada estado está a escolher grandes eleitores, em número igual ao de representantes que tem no Congresso (Câmara dos Representantes e Senado somados. Ao todo, 538, com os três do distrito de Columbia). Quem ganha num estado leva todos os grandes eleitores desse estado. Por exemplo, o candidato que vencer no Texas leva os seus 38 votos no Colégio Eleitoral. É este que verdadeiramente escolhe o presidente.

Isso quer dizer que é possível ganhar sem ter a maioria do voto popular?

É e já aconteceu. Três vezes no século XIX, mas a última foi em 2000, quando o democrata Al Gore perdeu para o republicano George W. Bush apesar de ter tido mais meio milhão de votos populares.

E Obama? Quando deixa a Casa Branca?

O novo presidente só toma posse a 20 de janeiro de 2017. Nesse dia termina o segundo mandato de Barack Obama e começa o do seu sucessor... Ou sucessora.

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