700 detidos em manifestação em Moscovo

Entre os detidos deste sábado está Lyubov Sobol, advogada de 31 anos, que está em greve de fome há três semanas e lidera os protestos da oposição pelo direito a participar nas eleições locais de setembro

Cerca de sete centenas de pessoas foram interpeladas este sábado pela polícia russa quando se manifestavam em Moscovo pelo direito da oposição a participar nas eleições locais na capital russa em setembro próximo. Apesar de local, o escrutínio é visto como antecâmara das eleições legislativas, que estão agendadas para 2021 na Rússia.

O OVD-Info, grupo de monitorização independente, há registo de 685 detenções, havendo casos em que a polícia bateu nos manifestantes com bastões enquanto estes estavam deitados no chão. Também os repórteres da agência noticiosa Reuters dizem ter testemunhado dezenas de detenções durante a manifestação.

Entre os detidos está Lyubov Sobol, advogada de 31 anos, que está em greve de fome há três semanas e lidera os protestos. Sobol, especialista em luta contra a corrupção, foi interpelada antes do início da manifestação, quando se deslocava para a mesma de táxi. A polícia parou-a, deteve-a e atirou-a para dentro de uma carrinha preta, relatou a BBC.

Na semana passada a polícia russa reprimiu igualmente os protestos, por vezes com violência, tendo interpelado mais de mil pessoas. Alexei Navalny, de 43 anos, é o opositor mais conhecido do regime russo. Foi condenado a 30 dias de prisão.

"Isto não ficará resolvido enquanto não perceberem que as pessoas estão a exigir uma representação política que tenha em conta as suas opiniões e vontades e estas pessoas não vão desaparecer", dissera Lyuboy Sobol, numa entrevista à Reuters. A ativista encontra-se há já três semanas em greve de fome para exigir a sua participação nas eleições locais de setembro. "Eles ignoram os nossos apelos então é preciso usar formas de combate mais radicais", afirmara, à BBC, no escritório do centro da capital russa em que está acampada há vários dias em protesto.

"Penso que a greve de fome é uma forma de fazer pressão. Claro que Putin acha que isto é chantagem e não cederá. Mas é a minha forma de defender os meus direitos", declarou a advogada àquela televisão britânica, depois de ter visto as candidaturas de candidatos da oposição rejeitadas com o argumento de que muitas assinaturas são inválidas.

Perante os protestos, o atual presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, aliado de Vladimir Putin, avisou que não vai permitir que a capital russa se transforme na capital da anarquia. "Este levantamento em massa foi premeditado e muito bem preparado. Estavam a tentar bloquear estradas e atacar a polícia. Levaram a polícia a usar a força. E isso foi totalmente apropriado para a situação que estava em causa".

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG