7 ou 38 anos? Dúvidas sobre pena de ativista condenada à prisão no Irão

Nasrin Sotoudeh, advogada iraniana que se destacou ao defender em tribunal ativistas que lutam pelos Direitos Humanos, foi esta segunda-feira condenada, mas os relatos divergem.

A advogada iraniana Nasrin Sotoudeh, uma defensora dos direitos humanos detida desde meados de junho, foi condenada esta segunda-feira a sete anos de prisão pela justiça do Irão, anunciou a agência de notícias semioficial Isna.

"Nasrin Sotoudeh foi condenada a cinco anos de prisão por conspiração contra o sistema e a dois anos por ofender o líder" supremo Ali Khamenei, indicou o juiz Mohammad Moghiseh, responsável do tribunal revolucionário n.º 28 de Teerão, segundo a Isna.

Ainda à agência de notícias iraniana, um dos advogados de Nasrin Sotoudeh, Mahmoud Behzadi-Rad, explicou que o tribunal "realizou uma audiência para este julgamento em que a minha cliente não estava presente e entendemos que o tribunal a condenou à revelia"

"O caso foi encaminhado para o tribunal de recurso", referiu o juiz Moghiseh.

No entanto, os relatos divergem. O marido da advogada iraniana, Reza Khandan, também ele condenado em janeiro a cinco anos de prisão por "conspiração contra a segurança nacional" e a um ano por "propaganda contra o sistema", usou o Facebook, no mesmo dia, para revelar que a sua mulher tinha sido na verdade sentenciada a 38 anos de prisão e a 148 chicotadas.

As autoridades iranianas não estavam disponíveis esta segunda-feira para comentar a publicação nas redes sociais de Reza Khandan, segundo a agência de notícias Reuters.

A advogada foi detida em meados de junho após ter sido condenada à revelia por espionagem e por insultar o líder supremo do Irão, segundo outro dos seus advogados, Payam Derafshan, que considerou o veredicto ilegal e que o trouxe a público.

Sotoudeh defendeu várias mulheres detidas por retirarem nas ruas os lenços - hijabs - que devem cobrir-lhes o cabelo em público, em protesto contra a obrigatoriedade desta prática no Irão desde a revolução islâmica de 1979.

Nasrin Sotoudeh, militante dos direitos humanos no Irão, foi distinguida em 2012 com o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, atribuído pelo Parlamento Europeu. Nesse ano protagonizou uma greve de fome que durou 50 dias em protesto contra a proibição da sua filha de viajar.

A defensora dos Direitos Humanos já tinha cumprido metade de uma sentença de 6 anos de prisão imposta em 2010 por conspirar para prejudicar a segurança do Estado - acusações que sempre negou - antes de ser libertada em 2013.

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