300 mil animais serão degolados em festival religioso no Nepal

Ativistas da causa animal tentam há anos colocar um travão no Festival Gadhimai, ritual de sacrifício de animais que acontece a cada cinco anos em honra de uma deusa

Estima-se que mais de 300 mil animais serão degolados com um khukuri, uma espada afiada popular no Nepal, no festival religioso em honra da deusa Gadhimai que se realiza de cinco em cinco anos e cuja edição de 2019 decorre desde terça-feira.

Desde búfalos, galinhas, cabras, porcos, patos e até ratos e pombos, animais de várias espécies terão o pescoço cortado neste que é o maior ritual de sacrifício animal do mundo, cuja tradição se iniciou há 265 anos na cidade nepalesa de Bariyarpur, perto da fronteira com a Índia, para respeitar uma lenda hindu.

Perante isto, diversos grupos de ativistas da causa animal tentam há anos colocar um travão no Festival Gadhimai. Na edição anterior, a Índia chegou mesmo a proibir o envio de animais para o Nepal, embora os comerciantes que transportam os animais continuem a atravessar a fronteira sem licença. Nem o apelo da corte suprema do Nepal para que o governo desencorajasse o ritual evitou que milhares de pessoas se voltassem a concentrar em Bariyarpur.

A degolação dos animais é presenciada por crianças, que sobem às árvores para assistir ao massacre, que dura três dias, e que supostamente lhes trará saúde e prosperidade. Já os idosos misturam o seu sangue com o que é derramado pelos animais na esperança de prolongar a sua vida.

"O que eles fazem aqui é um assassinato brutal", vinca Wendy Higgins, porta-voz da associação animalista da Sociedade Humanitária Internacional (SHI). "Os animais são mortos um após outro, incluindo mães na frente dos seus bebés", frisa o ativista, citado pelo jornal espanhol El Mundo .

Paralelamente, organizações como a espanhola Igualdad Animal lançaram há algumas semanas uma campanha para tentar colocar fim nesta tradição. Até alguns grupos se manifestaram nas embaixadas do Nepal em países como Espanha, Inglaterra ou México, mas sem sucesso.

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