Centeno e o Brexit: "Saída sem acordo não pode ser concretizada"

Mário Centeno, presidente do Eurogrupo, considera que a condição para o Brexit se concretizar é a existência de um acordo. O que vai ser hoje votado - na Câmara dos Comuns, em Londres - ou "outro".

A poucas horas da votação em Londres do acordo de retirada do Reino Unido da União Europeia, o presidente do Eurogrupo admite que possa ter de ser encontrado um "outro" acordo, no caso de um chumbo, esta tarde, na Câmara dos Comuns do Parlamento britânico. Caso contrário, a saída "não pode ser concretizada".

"Espero, sinceramente, que se tome a decisão que melhor acautele o futuro. É evidente que tem de haver um acordo - seja este acordo, outro acordo", declarou Mário Centeno, em declarações aos jornalistas portugueses, à margem de uma cerimónia em Estrasburgo, na qual se assinalou o 20.º aniversário do euro.

O também ministro das Finanças de Portugal afastou qualquer cenário de crise para a Zona Euro, no caso de uma saída abrupta - também designada por Hard Brexit -, mas admitiu que este é "o pior cenário para a área do euro, para a União Europeia, mas acima de tudo, para os cidadãos do Reino Unido".

Por essa razão, Centeno entende que "deve ser tomada a decisão que seja melhor para responder às dificuldades que o Reino Unido sente", considerando que "o Reino Unido responde melhor a essas dificuldades dentro da União Europeia, embora "obviamente, seja uma decisão do Reino Unido".

"Aquilo que me parece bastante claro é que uma saída sem um acordo não pode ser concretizada", considerou o presidente do Eurogrupo, deixando em aberto a possibilidade do Brexit poder ser revertido.

"Devemos sempre tomar decisões informadas", afirmou Centeno, quando questionado sobre a expectativa dentro das instituições da UE, quanto à possibilidade de travar o saída do Reino Unido. Centeno disse esta conclusão é extraída "daquilo que nos ensina o nosso processo democrático bastante longo". Porém, não esclareceu se estava a referir-se à consulta popular realizada no Reino Unido, a 23 de junho de 2016, que deu um resultado de 52% a favor do Brexit e 48% contra.

Questionado pelo DN sobre se consideraria que os britânicos estariam agora mais bem informados sobre o Brexit e em melhores condições de responder a um novo referendo, Centeno disse que "todos obviamente temos o nosso espaço de liberdade e podemos exercê-lo, só acharia sempre que essa liberdade deveria ser exercida de forma informada".

"Ao longo dos últimos meses aprendemos muito sobre as dificuldades que uma saída, da União Europeia tem. A União Europeia é uma área económica poderosíssima, de enorme estabilidade, que trás imensos benefícios para os seus cidadãos", declarou ainda o ministro das Finanças do governo socialista de António Costa.

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