China "jamais tolerará" ingerências externas em Macau e Hong Kong

O Presidente chinês afirmou hoje que a China "jamais tolerará" ingerências externas nas suas regiões semiautónomas, numa altura em que o aniversário da transição de Macau coincide com uma grave crise política em Hong Kong. Sublinhou o desenvolvimento da região e apelou ainda para a melhoria das condições dos cidadãos.

"Eu quero destacar aqui que, após o retorno à pátria de Hong Kong e Macau, os assuntos destas duas regiões administrativas especiais são totalmente assuntos domésticos da China", afirmou Xi Jinping, durante a tomada de posse do novo chefe do Executivo de Macau, Ho Iat Seng.

Xi sublinhou que, nos 20 anos desde a transição da administração para a China, assistiu-se ao "melhor desenvolvimento de Macau em toda a sua história" e que "o PIB [per capita] aumentou significativamente e passou a ser o segundo maior do mundo".Xi Jinping apelou ainda a que se responda às preocupações dos cidadãos locais, melhorando a oferta de habitação, serviços médicos e cuidados aos idosos. "Há que dar maior atenção e ajudar os grupos vulneráveis, e continuar os esforços para um sistema educacional de qualidade, para assim oferecer melhores condições para o crescimento dos jovens e formação de talentos", pediu.

"O nível de vida e o bem-estar do povo melhoraram substancialmente" no território, que "é agora considerada uma das cidades mais seguras do mundo", disse.

"Os êxitos de Macau nos últimos 20 anos impressionaram todo o mundo", observou.

Xi admitiu que "é natural que os arranjos institucionais [da fórmula 'um país, dois sistemas'] possam ser constantemente melhorados", mas assegurou que o princípio "continuará a ser implementado".

O Presidente chinês explicou ainda que o sucesso de Macau na implementação daquele modelo de governação se deve ao "patriotismo" e atenção da sociedade local pelos interesses nacionais, mas pediu ao território que se mantenha alerta perante uma situação internacional que "regista mudanças profundas e inéditas no espaço de um século".

"É fundamental que o novo Governo e toda a sociedade da RAEM pensem grande e tenham visão de longo prazo, que estejam preparados para os perigos, mesmo em tempos de paz", disse.

"O Governo e o povo da China estão firmes como uma rocha na sua determinação em defender a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do país", afirmou, durante um discurso de cerca de quinze minutos, arrancando aplausos entre uma plateia composta pelas principais personalidades do território.

Para além do primeiro chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau [RAEM], Edmundo Ho, o chefe do Governo cessante, Chui Sai-on, e Ho Iat Seng, que tomou posse hoje, na primeira fila estiveram sentados a líder de Hong Kong, Carrie Lam, e vários membros do seu Executivo, que enfrenta a pior crise política no território desde a transferência da soberania do Reino Unido para a China.

Um projeto de lei que permitiria extraditar criminosos para países sem acordos prévios, como é o caso da China continental, e entretanto retirado, desencadeou protestos em Hong Kong que duram há mais de seis meses, e que se alargaram, entretanto, com manifestações quase diárias para denunciar a alegada erosão das liberdades, a crescente influência do Governo chinês nos assuntos da região semiautónoma e para exigir reformas democráticas.

A liderança chinesa tem aproveitado o aniversário do retorno de Macau, que se converteu nos últimos 20 anos numa capital mundial do jogo, com um dos maiores PIB [Produto Interno Bruto] 'per capita' do planeta, para enfatizar a viabilidade da fórmula 'um país, dois sistemas', que garante um elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário à região e a Hong Kong.

Xi pediu ao Executivo local alinhe "proativamente" o desenvolvimento local com as estratégias nacionais, incluindo a construção da Área da Grande Baía, um plano de Pequim para criar uma metrópole mundial, construída a partir de Hong Kong e Macau, e nove cidades da província vizinha de Guangdong, através da criação de um mercado único e da crescente conectividade entre as vias rodoviárias, ferroviárias e marítimas.

"Macau pode ainda focar-se na exploração de Hengqin [ilha da Montanha], mediante a cooperação com a [cidade vizinha de] Zhuhai, visando abrir espaço e injetar vigor ao seu desenvolvimento a longo prazo", sugeriu.

A Zona Piloto de Comércio Livre de Hengqin, que pertence à cidade de Zhuhai, já está ligada ao território por um posto fronteiriço aberto 24 horas por dia e um túnel de acesso ao novo 'campus' da Universidade de Macau, cujo terreno foi arrendado por Zhuhai à RAEM. A abertura de um novo posto fronteiriço permitirá agora passar quase 16.000 metros quadrados de terrenos na ilha para a jurisdição de Macau.

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