Vidago Palace marca nova aposta da RTP1 na ficção

A minissérie que está a ser gravada em Chaves insere-se na linha de ficção nacional que o canal quer para o seu horário nobre. Direção de programas fala em conteúdos "inovadores"

Com a estreia de Ministério do Tempo e Vidago Palace agendadas para o próximo ano, o diretor de programas da estação pública, Daniel Deusdado, confirma a hipótese de criar uma linha de ficção durante os cinco primeiros dias da semana na RTP1. "Algumas das nossas séries-âncora vão estar em prime time à segunda-feira, pelas 21.00, e Vidago [Palace] é uma dessas possibilidades", disse na passada sexta-feira o responsável durante as gravações da série em Vidago, no concelho de Chaves, e nas quais o DN esteve presente.

The Big Picture, o concurso de cultura geral interativo apresentado por Pedro Fernandes, é a atual aposta da RTP1 para as noites do canal, mas poderá não o ser por muito mais tempo, pelo menos às segundas-feiras. O diretor de programas da RTP1 admite "suprimir" o formato nesse dia para "apostar na ficção".

A mudança no modelo de produção feito pela televisão pública é um dos assuntos-chave da atual administração do canal, presidida por Gonçalo Reis. Atualmente, a RTP1 transmite uma série portuguesa diferente de terça a sexta-feira, por volta das 22 horas. Mulheres Assim, Os Boys, Dentro e Miúdo Graúdo são o resultado de uma estratégia, na área da ficção, assente na "diversificação" e "inovação", mas que procura igualmente criar "uma indústria audiovisual que não seja de uma produção mais rotineira, como é a de uma novela", explicou Deusdado, que também admitiu que esta indústria está em "processo de afinação", nomeadamente no que toca a "conteúdos enquadrados num gosto mais mainstream", e deixando "outras séries mais difíceis num horário menos óbvio, como é o prime time".

Confrontado com as críticas de que a estação está a investir dinheiro dos contribuintes num produto que é nobre, mas que tem pouca adesão por parte dos espectadores, Daniel Deusdado responde: "A questão para nós é muito simples: o que é absolutamente mais estratégico que a RTP faça em Portugal? É que crie conteúdos inovadores, que sejam o reflexo do nosso tempo, que mostre um determinado passado ou que tenham uma história, como é o caso de Vidago Palace, e que constituam a memória de um país", defendeu, ao mesmo tempo que advogou ser necessário "um processo de habituação por parte do espectador".

Recuar aos anos 1930

Depois de séries como E Depois do Adeus, Conta-me como Foi, Os Filhos do Rock e Mulheres de Abril, Vidago Palace representa uma nova aposta da RTP1 num projeto televisivo de época. A série deverá chegar à programação do canal público no segundo semestre do próximo ano. As filmagens arrancaram a 3 de outubro e terminam até ao final deste mês.

Mikaela Lupu, Margarida Marinho, Almeno Gonçalves, Beatriz Barosa, Pedro Barroso, David Seijo, Custódia Gallego, Maria Henrique, Eva Fernandez, João Didelet, Bruno Schiappa, Pedro Mendonça e José Mora Ramos são alguns dos atores que compõem o elenco desta coprodução entre a RTP e a Corporación Radio e Televisión de Galicia (CRTVG). O objetivo é recuar até aos anos 30 do século XX para contar, em seis episódios de 50 minutos cada, uma história vista por espanhóis e portugueses: o amor proibido entre Carlota, filha dos condes de Vimieiro e noiva de César, e o jovem Pedro, empregado no hotel. A autoria é de Henrique Oliveira, que também realiza, enquanto Mikaela Lupu, Pedro Barroso e David Seijo formam o triângulo amoroso da trama.

A atriz Margarida Marinho mostra-se feliz pelo desafio. "A Benvinda da Silva é um bombom que o Henrique [Oliveira] me ofereceu. É uma personagem muito emocional, mas ao mesmo tempo é uma leoa", explica. Para a atriz, ter como cenário o hotel Vidago Palace, inaugurado em 1910, é um privilégio. "Estamos num espaço de uma dignidade que não tem preço. Conseguir este décor é, de facto, um momento único no panorama da ficção nacional. E temos um texto que, para os atores, tem uma qualidade ímpar. Cada personagem está tão bem desenhada e os acontecimentos estão tão bem ligados uns com os outros que só temos a ganhar se nos concentrarmos no nosso trabalho", elogiou.

Vidago Palace tem por ambiente o contexto histórico de 1936 entre os dias 1 e 15 do mês de agosto e que tem como pano de fundo os hóspedes do hotel que lhe dá nome. Além daquele triângulo amoroso, aborda ainda temáticas como os Jogos Olímpicos de Berlim de 1936, a Guerra Civil de Espanha (1936-39) e a inauguração do campo de golfe de Vidago.

A minissérie é a primeira coprodução de ficção entre a Rádio e Televisão de Portugal e a CRTVG, cujo protocolo foi assinado no passado dia 6 de junho, no Porto. Daniel Deusdado explica que "esta parceria nasce pela dinâmica privada". "Este projeto nasce pensado para um canal português com o apoio do Instituto de Cinema e Audiovisual [ICA]. A partir do momento que ganhou o apoio do ICA, a RTP complementa o orçamento. Depois o Henrique [Oliveira] vai para o mercado à procura de uma coprodução na Galiza e nós associámo-nos imediatamente e fizemos as sinergias com a TV Galiza para tentar conjugar a exibição e para criarmos aqui uma relação mais estreita com a Galiza, que até agora não estava a funcionar", elucidou.

Embora as gravações ainda estejam a decorrer, a produtora galega Portocabo já conseguiu vender a série para o canal italiano RAI e para uma televisão polaca.

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