Televisão é a nova galinha dos ovos de ouro para atores consagrados

Streep e De Niro negociaram contratos milionários para participar em produções televisivas. Rivalidade entre plataformas de streaming e estações faz disparar valores. Mas haverá ainda público para tantas séries?

Quando, em 2012, Kevin Spacey, ator com dois Óscares, aceitou protagonizar a primeira produção própria da Netflix, House of Cards, a indústria do entretenimento estava longe de imaginar que, quatro anos volvidos, os nomes mais sonantes de Hollywood estariam a digladiar-se por lugares em produções televisivas. Vive-se a Idade do Ouro da Televisão.

A também designada época da Peak TV (neste momento são produzidas mais séries do que alguma vez seria humanamente possível consumir) trouxe à caixinha mágica nomes como Woody Allen, Ben Affleck, Viola Davis, Ashton Kutcher , Anthony Hopkins e David Lynch (com o regresso de Twin Peaks, agendado para 2017). Estas são apenas algumas das personalidades lista A de Hollywood que, ou já entram em produções televisivas ou estão agendadas para entrar. Neste segundo lote estão aqueles que são considerados a realeza de Hollywood: Meryl Streep e Robert De Niro.

A atriz, que conta com três Óscares no currículo, vai protagonizar The Nix e o ator, que já recebeu dois prémios da Academia, vai entrar numa produção, ainda sem nome, da plataforma de streaming Amazon. Segundo uma investigação do The Hollywood Reporter, Meryl Streep vai receber 779 mil euros por cada episódio da série realizada por J.J. Abrams e produzida pelos estúdios Warner Bros. (e que ainda não tem estação predefinida).

Já De Niro irá receber cerca de 708 mil euros por cada um dos 20 episódios da série da Amazon produzida pelo realizador David O. Russell (responsável por longas-metragens como Joy, Guia para Um Final Feliz, The Fighter - Último Round). A juntar-se a estes nomes está Kiefer Sutherland. O protagonista do drama político da ABC Designated Survivor estará a receber 283 mil euros por cada episódio, o que constitui um recorde para uma primeira temporada.

Embora seja um valor distante dos 825 mil euros por episódio que Jim Parsons, Johnny Galecki e Kaley Cuoco, protagonistas de A Teoria do Big Bang, auferem, é, para uma série estreante, sem garantias de retorno de audiências, um valor astronómico. A diferença entre atores de séries como A Teoria do Big Bang (que conta já com 10 temporadas) e nomes como Sutherland, Streep ou De Niro é que os primeiros têm de esperar que as tramas tenham sucesso para, ao longo das temporadas, negociar salários mais altos (e, quase sempre, em negociações conjuntas, como os atores da série Friends que, ainda na década de 1990, foram pioneiros, ao conseguirem salários iguais para todo o elenco e, também, ao chegarem ao astronómico valor de um milhão de dólares por episódio, algo inédito à época). Já os segundos, negoceiam os valores contratuais a priori, independentemente das séries serem um sucesso de audiências ou não.

Segundo especialistas ouvidos pelo The Hollywood Reporter, esta nova lógica deve-se à crescente rivalidade entre as duas principais plataformas de streaming, a Netflix e a Amazon, que não só pagam salários altos como disponibilizam orçamentos multimilionários a produtoras e realizadores.

Veja-se o caso da série da Amazon que vai ser protagonizada por De Niro, que conta com um orçamento de 6,6 milhões de euros por episódio ou dos 8,8 milhões de euros que a Netflix pagou a Chris Rock por dois especiais de stand up comedy. Esse caminho está a ser seguido pelas estações de televisão, que asseguram pagamentos cada vez mais elevados a estrelas que possam garantir audiências altas (caso de The Rock que aufere 424 mil euros por episódio na série Ballers, da HBO).

"O público para cada série está a encolher por isso, o que as estações de televisão estão a fazer é tentar marcar a diferença com estrelas de renome", explica Henry Schafer, especialista em marcas, ao The Hollywood Reporter. Mas, a avaliar pelo fracasso de Crisis in Six Scenes, a aguardada estreia de Woody Allen na TV, nomes consagrados já não são garantia de audiências e menos de retorno financeiro. Até quando conseguirão as estações de televisão e as plataformas de streaming pagar salários astronómicos sem que isso ponha em perigo a sua saúde financeira? A resposta e as consequências só se saberão com o tempo.

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