'Site' que divulgou 'sex tape' de Hulk Hogan obrigado a pagar 102 milhões

Justiça deu razão à estrela do wrestling no processo contra o site Gawker, que publicou o vídeo

Na batalha entre a liberdade de expressão e o direito à privacidade, prevaleceu o último. O Tribunal de St. Petersburg, na Flórida, decretou esta sexta-feira que Hulk Hogan, um dos maiores nomes mundiais do wrestling, vai receber 102 milhões de euros como indemnização, ao vencer o processo que interpôs contra o site de notícias sobre celebridades Gawker, fundado há 13 anos pelo empresário Nick Denton. Em causa está a divulgação, em 2012, de parte de uma sex tape com o antigo lutador e Heather Cole, a então mulher do seu amigo e locutor de rádio Bubba the Love Sponge, de seu nome Todd Clem, como protagonistas.

O vídeo íntimo de dois minutos, uma pequena parte da versão completa enviada de forma anónima, foi visto por milhões de pessoas e, apesar de Terry Bollea - nome verdadeiro de Hulk Hogan - ter pedido, ao longo de seis meses, para que as imagens fossem retiradas, os responsáveis pela página não quiseram saber. Em tribunal, o fundador e o editor A. J. Daulerio alegaram que a publicação era de interesse público, estando por isso protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que garante a liberdade de expressão.

"Eu acredito na total liberdade e na transparência da informação. Sou um extremista no que toca a estes aspetos", afirmou o fundador do Gawker em tribunal. Ainda assim, a justiça norte-americana considerou que a privacidade do wrestler foi invadida com a divulgação das imagens e deu razão, após duas semanas de julgamento e seis horas de deliberação por parte de um grupo de seis juízes, à lenda do desporto norte-americano, que vai receber, pelo menos, 48 milhões de euros por danos económicos devido ao escândalo e 54 milhões por stresse emocional, um montante superior aquele que Hogan pediu inicialmente quando resolveu avançar para a justiça.

Embora tenha sido publicado em 2012, o vídeo foi gravado em 2007, na mesma altura em que a estrela de reality-shows e filmes ultrapassava um difícil processo de divórcio da sua mulher Linda, mãe dos seus dois filhos - Brooke, de 27 anos, e Nick, de 25- após mais de duas décadas de casamento, por alegadas agressões físicas e relacionamentos extraconjugais descobertos pela matriarca.

No seu depoimento em tribunal, o ex-campeão de wrestling afirmou sentir-se "completamente humilhado" pelo vídeo, que não só teve um impacto negativo na sua família como também na sua carreira profissional. Para além das imagens a ter relações sexuais com Heather Cole, Hogan ainda profere alguns comentários racistas quando fala da vida da filha Brooke. "Se ela está a ter relações sexuais com um negro, preferia que fosse um de dois metros e meio, que valesse milhões de dólares, como um jogador de basquetebol", terá dito a Heather Cole. Essas declarações tornaram-se públicas só no ano passado e a WWE, empresa de wrestling com a qual o ex-campeão mundial tinha contrato, imediatamente avançou com a rescisão do mesmo. "A WWE termina o seu contrato com Terry Bollea (Hulk Hogan). A WWE está dedicada a aceitar e celebrar todos os indivíduos, independentemente das suas origens, algo demonstrado pela diversidade de empregados, atletas e fãs que possui", escreveu a empresa em comunicado. Em declarações à revista People, Hulk Hogan pediu desculpas pela linguagem usada nas gravações. "Há oito anos, usei linguagem ofensiva durante uma conversa. Foi um ato inaceitável da minha parte e não há desculpas para tal. Peço desculpas por tê-lo feito".

No momento da sentença, na sexta-feira, Hogan não conteve a emoção, deixando cair as lágrimas enquanto festejava com o seu advogado a vitória que poderá ter efeitos devastadores no futuro da página Gawker, fruto da quantia avultada de indemnização que a justiça decretou.

Leia mais na edição impressa do DN ou no e-paper

Exclusivos

Premium

Nuno Severiano Teixeira

"O soldado Milhões é um símbolo da capacidade heroica" portuguesa

Entrevista a Nuno Severiano Teixeira, professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e antigo ministro da Defesa. O autor de The Portuguese at War, um livro agora editado exclusivamente em Inglaterra a pedido da Sussex Academic Press, fala da história militar do país e da evolução tremenda das nossas Forças Armadas desde a chegada da democracia.

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.