Newsweek chama preguiçoso a Trump

A capa da publicação mostra o presidente recostado numa poltrona, com ar entediado e cansado

A Newsweek não recorreu ao politicamente correto para fazer um balanço dos primeiros seis meses de mandato de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. A edição de agosto da revista já está disponível online e mostra o presidente norte americano sentado numa poltrona a comer junk-food, a beber refrigerantes, de comando da televisão na mão e com um semblante "aborrecido" e "cansado". "Preguiçoso", lê-se em título.

"Imagine o quão mal ele se sentiria se tivesse feito alguma coisa", sugere a revista, ainda na capa, em jeito de apresentação do trabalho que consta nas páginas anteriores, nomeadamente o balanço dos primeiros seis meses de Donald Trump na Casa Branca. Foram, segundo a revista diz, 40 dias de golfe e zero em matéria de legislação.

Se a capa não é simpática, o texto, também já disponível no site, também não o poderia ser. "Trump, o rei-menino da América: golfe e televisão não tornarão a América grande outra vez" dá título ao trabalho.

O site também mostra um vídeo em que se pergunta: "O que é que Trump fez realmente?". Seguem-se algumas das medidas apresentadas como prioridade pelo presidente e os resultados obtidos, nomeadamente o reforço das fronteiras com o México, a introdução de medidas anti-imigração, a saída do acordo de Paris sobre alterações climáticas, a proibição de pessoas trangénero no Exército, a introdução de sanções à Rússia

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.