O que liga Kim Jong-un a uma Kardashian? Os rentáveis 'emojis'

Numa dupla crítica ao êxito da 'app' de ícones personalizados da 'socialite' e à política do líder da Coreia do Norte, um 'designer' aposta no mesmo negócio, agora centrado em Jong-un

Apesar de partilharem o mesmo nome, vêm de continentes, culturas e profissões diferentes. Mas há algo que liga os distantes mundos de Kim Jong-un e Kim Kardashian: o rentável negócio das aplicações (app) com emojis, que, apesar de ser território recente, promete tornar-se neste ano numa das grandes tendências empresariais para as figuras públicas.

Dois meses depois de a estrela de reality tv se ter tornado pioneira neste ramo com a app Kimoji, que se tem tornado um caso sério de vendas, um norte-americano revoltou-se com o sucesso do novo negócio de Kim Kardashian e criou Kimunji, um leque de "bonecos" que pretende "gozar" com o líder da Coreia do Norte, com expressões faciais e símbolos personalizados à sua imagem. E há emojis (uma mistura dos termos japoneses e (imagem) + moji (personagem]) para todos os gostos: Jong-un a chorar, a rir e a caminhar; as faces do seu pai e avô; foguetões; bandeiras norte-coreanas; explosões nucleares e até a face de Dennis Rodman, o excêntrico ex-basquetebolista que já visitou várias vezes a Coreia do Norte e diz ser "amigo" de Jong-un.

O designer Ben Gillian conta à BBC que criou os 12 emojis, disponíveis de forma gratuita, ao contrário dos de Kardashian, em menos de quatro horas, com o objetivo de criticar a "terrível" app Kimoji, que diz estar a danificar a sociedade. "Kim Jong-un é, obviamente, uma terrível pessoa, mas em certos aspetos aquilo que a app Kimoji está a fazer à sociedade é igualmente terrível. O conteúdo é horrível e imagino os mais novos a usarem aquilo. Vai parar às mãos deles e depois aquelas mensagens sobem-lhes à cabeça. Muitos jovens estão atentas às Kardashians", explica o norte-americano que vive em Houston com a mulher, acrescentando que ficou "estupefacto" quando percebeu que a app da mulher de Kanye West chegou ao primeiro lugar das aplicações pagas na Apple - e mesmo dois meses depois, ainda se mantém no segundo posto.

Kimoji - que chegou a deitar abaixo o servidor da Apple Store por momentos, face à procura - tem mais de 500 ícones personalizados ao estilo de Kim Kardashian, quer sejam rostos com os seus mais variados cortes e cores de cabelo, como expressões que utiliza frequentemente, produtos de beleza, corações, beijos, donuts e até partes do seu corpo como emojis - inclusive dos seus muito falados glúteos.

Ben Gillian, de 32 anos, frisa à BBC que deu por si a rir-se, junto da mulher, ao pensarem em como seria absurdo se Kim Jong-un - líder desde 2011 de um país onde não há internet e apenas uma rede de telecomunicações, a Koryolink - lançasse uma app deste género. No dia em que a Coreia do Norte lançou um foguetão de longo alcance para colocar um satélite em órbita, Gillian não foi de modos e começou de imediato a criar a gama de emojis.

"Os ícones são baseados nas notícias e no medo que temos da Coreia do Norte", diz o designer norte-americano à BBC, acrescentando que o seu projeto Kimunji não teria tido a visibilidade que está a receber se o autor não tivesse optado por um lado cómico nos seus emojis e tivesse, antes, criado símbolos alusivos ao trabalho infantil e à pobreza. Mas, adianta: "Não quero, de forma alguma, minimizar com isto a violação dos direitos humanos que existe na Coreia do Norte. Esse é um assunto muito sério. Mas se a minha brincadeira ajudar as pessoas a pensar neste tema de forma séria, ou até a começar a pensar nele, ao menos aumenta-se a consciencialização", diz Ben Gillian.

O mesmo adianta: "O feedback que tenho recebido tem sido fantástico. Mas há pessoas que estão zangadas comigo porque pensam que estou a prestar uma homenagem a Kim Jong-un, o que é a última das minhas intenções." O designer confessa não estar muito preocupado se estes emojis vão aborrecer ou não Kim Jong-un. Mas atira que seria "divertido" se a protagonista do reality Keeping Up with the Kardashians e o marido, o rapper Kanye West, não achassem graça em ser o alvo de sátira deste novo projeto. "Assustado não ficaria de certeza. Ia ser engraçado ver a reação", remata entre risos, em entrevista à estação pública britânica.

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