Nuno Artur Silva: "Fui alvo de uma campanha difamatória reles"

Administrador da RTP não foi reconduzido no cargo que exerce na estação pública e desabafou no Facebook. "Tenho os inimigos certos. Que mais posso desejar?", escreveu

É a primeira reação pública de Nuno Artur Silva, administrador responsável pelos conteúdos da RTP, à notícia de que o Conselho Geral Independente (CGI) da RTP não o vai reconduzir no cargo para um novo mandato de três anos. Na sua página de Facebook, agradeceu o apoio recebido de "amigos, conhecidos e desconhecidos", mas criticou duramente a decisão do CGI.

"(...) Fui alvo de uma campanha difamatória reles, miserável, sem escrúpulos, lançada precisamente neste momento com o intuito de impedir a minha continuidade na administração da RTP", escreve Artur Silva, que adianta que a "campanha" de que terá sido alvo, foi "bem sucedida".

O ainda administrador da RTP revelou também que tem sido "inundado por manifestações de pessoas que, não tendo contacto com tabloides onde trabalham pessoas que se fazem passar por jornalistas e que representam a pior escumalha da comunicação social", lhe dizem que "não percebem o que se passou e que estão a gostar cada vez mais desta RTP e a encontrar nela a evidência de serviço público".

"Foram três anos empolgantes em que, com excelentes equipas, pudemos concretizar muito do que acreditávamos que devia ser feito. Agora é tempo de regressar ao meu lugar de sempre: um qualquer sítio onde possa ter ideias, escrever e desenvolver projetos com outras pessoas. Continuarei sempre a fazer o que gosto. Com quem gosto. Tenho os inimigos certos. Que mais posso desejar?", escreve Nuno Artur Silva.

A CGI emitiu um comunicado, na semana passada, onde anunciou que só o presidente da RTP, Gonçalo Reis, será reconduzido no cargo. Nuno Artur Silva não continua porque a sua recondução é "incompatível com a irresolução do conflito de interesses entre a sua posição na empresa e os seus interesses patrimoniais privados, cuja manutenção não é aceitável". Em causa está o facto de Nuno Artur Silva continuar ligado à empresa Produções Fictícias, o que terá levado a críticas internas na RTP.

No mesmo comunicado, o CGI admitiu que "no âmbito das suas funções de supervisão e fiscalização", não verificou "que isso tenha sido lesivo da empresa, no decurso do seu mandato" e reconheceu o "modo altamente meritório e sucessivamente reconhecido pelas instâncias de escrutínio da empresa" como Nuno Artur Silva liderou a "reconfiguração estratégica da política de conteúdos da empresa, numa ótica de serviço público de media".

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