Dois terços dos trabalhadores dos jornais 'Sol' e 'i' vão ser despedidos

Grupo angolano Newshold sai da estrutura acionista dos jornais. Novo projeto irá empregar os que ficarem

Era a notícia mais temida, mas foi comunicada aos trabalhadores esta segunda-feira, num plenário que começou às 10.30, nas instalações dos jornais i e Sol, em Queijas, no concelho de Oeiras. O grupo angolano Newshold, de Álvaro Sobrinho, decidiu desistir do diário i e do semanário Sol.

Mário Ramires, que deixou o cargo de subdiretor do semanário Sol em 2011 para assumir uma posição na administração da empresa, demitiu-se do cargo esta segunda-feira e volta a ser jornalista. Foi ele quem comunicou aos trabalhadores a possibilidade de ser criada uma nova empresa, com outros acionistas, que ainda não foram revelados. Desta forma, será possível manter as duas publicações no mercado, mas as redações sofrerão uma profunda reestruturação. O semanário Sol passará a estar nas bancas ao sábado - e não à sexta-feira -, e o diário i deixará de ter edição de fim de semana. Os elementos da nova redação - que irão exercer funções nos dois jornais - irão sofrer cortes nos salários e não haverá capital para cobrir despesas de deslocação, por exemplo.

Estas são algumas das mudanças. Haverá mais. Dos cerca de 120 trabalhadores - 80 são jornalistas e os restantes 40 são de outros departamentos - que faziam parte da Newshold, apenas 66 continuarão a ter um contrato de trabalho na nova empresa. Para isso é preciso que todos os trabalhadores "abdiquem" da antiguidade - uma questão legal que terá de ser cumprida. Mário Ramires pediu àqueles que assistiram ao plenário que confiassem na sua palavra. Garantiu ainda que todos os que não ficarem na nova empresa receberão a devida indemnização.

"Estamos incrédulos e tristes", disse um dos trabalhadores ao DN. Na verdade, se o novo projeto não avançar, o fim da Newshold marca também o fim dos dois jornais.

Os trabalhadores começaram a ser ouvidos às 15h30 desta segunda-feira. Mário Ramires vai falar com cada um dos 120 profissionais, individualmente. Até ao final do dia de hoje, saberão se foram ou não convidados para integrar o novo projeto e se este terá possibilidade de avançar.

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