TSF aposta em espaços para a informação respirar

Manhã, almoço e tarde com blocos de duas horas, opinião e humor com equipas renovadas são algumas das novidades da grelha da TSF, em que não faltam os clássicos da estação

Espaços alargados de manhã, à hora de almoço e à tarde em que "a informação possa respirar" são a principal aposta da nova grelha da TSF, ontem apresentada em Lisboa. Um desenho de antena feito para explicar melhor a atualidade e surpreender o ouvinte com conteúdos que podem também ser isolados e disponibilizados na internet, "casando on-air e online", explica Arsénio Reis, diretor da rádio.

"Aquilo que presidiu à ideia de termos espaços alargados de informação, para além de termos informação à hora certa, passa por termos a capacidade de explicar um bocadinho melhor aquilo que é a informação da hora e por outro lado é a margem que temos para surpreender com alguns conteúdos. Percebeu-se que funciona muito no período em que as pessoas estão no carro. Aquilo a que dantes se chamava prime time nós chamamos drive time em rádio. Já no ano passado essa aposta foi feita parcialmente quer na manhã quer no final de tarde, percebemos que essa aposta deu resultados e alargámos esses espaços para um período de duas horas", explicou ao DN à margem da apresentação da nova grelha, que decorreu no dia em que a maior parte das novidades chegaram à antena.

Exceção para as manhãs da TSF, editadas por Fernando Alves, das 08.00 às 10.00, com Cristina Lai Men nos noticiários. Este formato já se estreou a 18 de setembro, com duas semanas "fora de portas", em mercados municipais de Lisboa e do Porto, coincidindo com o período da campanha eleitoral. Ontem Fernando Alves voltou aos estúdios da rádio onde, depois das 08.00, chegou à antena a Flash Interview do humorista Eduardo Madeira e, depois das 09.00 abriu o microfone da economista Manuela Ferreira Leite no primeiro comentário em direto. O humor (ver texto secundário) e a opinião vão marcar as manhãs, de segunda a sexta, com novas vozes. Hoje e todas as terças será a vez do comentário de Carlos Carvalhas, amanhã de Bagão Félix, João Cravinho opina às quintas e Francisco Louçã às sextas.

"Os grandes conteúdos [blocos da manhã, almoço e tarde] têm dentro deles vários outros conteúdos que permitem às pessoas não consumir as duas horas de emissão mas consumir apenas aqueles três minutos. É essa a lógica que estamos a dar, não formatando demais cada uma das horas. No caso dos economistas é óbvio, não são conteúdos pré-gravados, não são crónicas. Todos os dias estão em direto, comentam um tema que escolheram mas também tudo o que possa ser imprevisto naquela manhã. Podem ser provocados na antena e o Fernando Alves é um mestre nisso", diz Arsénio Reis.

Na janela radiofónica do Almoço TSF (12.00-14.00) vai estar o jornalista Nuno Domingues, com informação, desporto, cultura. Às quartas, com um Almoço Grátis: Luís Montenegro e Carlos César debatem a atualidade política, numa conversa moderada por Anselmo Crespo. O terceiro grande bloco informativo são as Tardes TSF, das 18.00 às 20.00, com coordenação de Artur Carvalho, que vai fazer um apanhado do dia e sugestões para a noite. Regressam os clássicos: Fórum TSF, Jogo Jogado, Bloco Central, a entrevista DN/TSF, entre outros.

"O que estamos a fazer nesta grelha dos 30 anos é a pôr o melhor de nós em cima de uma marca que já de si é poderosa e tentar que ela se transforme numa coisa ainda melhor do que ela efetivamente já é", resume Arsénio Reis.

Presente na apresentação da grelha da TSF, Daniel Proença de Carvalho, presidente do conselho de administração do Global Media Group (GMG), apontou os desafios que se colocam aos media. "Não falamos de crise porque acreditamos mais no futuro do que no presente", disse. Aludindo à evolução tecnológica e à mudança na relação com os media tradicionais, o presidente do GMG acentuou a importância de estar na "vanguarda das tecnologias" e da aposta na diferenciação pela qualidade. "Por essas plataformas passa todo o lixo de opinião e informação. É importante saber o que é a verdade (...) No nosso grupo temos marcas centenárias com uma credibilidade fortíssima", acentuou. Focando-se na TSF, prestes a completar 30 anos, disse que a rádio "não entra nesse lixo que abunda por aí" e deve afirmar-se cada vez mais como uma marca de referência. Concluiu a intervenção com otimismo: "Estou convencido de que vamos vencer. Os nossos consumidores vão saber onde recolher a informação credível, a opinião credível e pluralista."

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