Nos prémios da televisão, a política e Trump voltam a dominar

O programa de humor Saturday Night Live, que este ano se destacou pela crítica ao presidente norte-americano, foi um dos grandes vencedores da noite, tendo conquistado nove troféus

O histórico talkshow Saturday Night Live, o drama familiar "Big Little Lies" e "The Handmaid's Tale", dominaram esta noite os prémios Emmy, que distinguem as produções televisivas norte-americanas.

A 69º edição da entrega dos prémios decorreu numa cerimónia em Los Angeles em que a política e o presidente Trump foram as "estrelas" convidadas.

A série "The Handmaid's Tale", baseada na adaptação de um romance homónimo de Margaret Atwood sobre uma América nas mãos de uma seita totalitária, venceu melhor série dramática e dominou a noite dos prémios de televisão com um total de cinco Emmy.

A série que retrata a violência contra as mulheres ganhou também o prémio para melhor atriz de série dramática (Elisabeth Moss), melhor atriz secundária em série dramática (Ann Dowd), melhor realizador de série dramática (Reed Morano, segunda mulher na história que ganha nessa categoria) e melhor guião de série dramática (Bruce Miller).

A mini-série "Big Little Lies", sobre as mães de família, os seus filhos e os seus dramas na Califórnia, venceu noutras cinco categorias, com os prémios de melhor mini-série, melhor realizador (Jean-Marc Vallée), melhor atriz de mini-série (Nicole Kidman), e melhores atores secundários em mini-série (Alexander Skarsgard e Laura Dern).

O histórico talkshow Saturday Night Live (SNL) foi outro dos vencedores da noite, com nove troféus, incluindo cinco de caráter técnico.

Saturday Night Live, que este ano se destacou pela crítica ao presidente norte-americano e à sua administração, foi criado pelo produtor Lorne Michaels, em 1975, soma perto de 830 emissões e, até à data, tinha conquistado um total de 45 Emmys.

O programa de humor, que soma 42 temporadas consecutivas, na cadeia NBC, estava nomeado em 22 categorias, a par da série "Westworld", e a meio da cerimónia já tinha conquistado quatro estatuetas, incluindo uma para Alec Baldwin e outra para Kate McKinnon, pela sua imitação da ex-candidata presidencial, Hillary Clinton.

O sucesso de SNL na 69.ª edição dos Emmy foi além das estatuetas conquistadas.

"Sabíamos que a maior estrela de televisão do ano passado foi Donald Trump. E Alec Baldwin", certamente, ironizou o apresentador da noite, Stephen Colbert, em referência ao ator que personifica Trump no Saturday Night Live (SNL).

"Finalmente, Sr. Presidente, aqui está o seu Emmy", disse Alec Baldwin ao receber o galardão, numa referência ao show "The Apprentice", ("O Aprendiz", em português), um reality show que foi apresentado por Donald Trump e em que executivos competem por um cargo em uma das empresas do multibilionário.

Baldwin acrescentou que depois de ter tido três filhos em três anos, a sua mulher não deu à luz no ano passado, um ano em que a sua interpretação do papel do presidente dos Estados Unidos impulsionou as audiências do SNL para um nível recorde.

"Quando alguém usa uma peruca cor de laranja (como a cor do cabelo de Donald Trump), isso atua como contracetivo", afirmou.

O antigo porta-voz da Casa Branca Sean Spicer, que cessou funções em julho, fez uma aparição surpresa nos prémios Emmy, sob o olhar divertido de Melissa McCarthy, que veste a personagem no SNL.

Alec Baldwin já tinha, aliás, na conferência de imprensa saudado Spicer pela arrojada entrada na cerimónia dos Emmy.

"Já fiz alguns trabalhos que vocês não devem respeitar ou admirar (...) Temos isso em comum", disse.

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