Temporada de "Vikings" com Albano Jerónimo estreia-se em dezembro

Na série, a personagem de Albano Jerónimo fala grego arcaico

A quinta temporada da série "Vikings", que conta com a participação do ator português Albano Jerónimo, estreia-se em Portugal a 03 de dezembro, foi hoje anunciado.

A série, que tem data de estreia marcada nos Estados Unidos a 29 de novembro, regressa aos ecrãs de televisão em Portugal a 03 de dezembro, às 22:00, no canal TVSéries, num comunicado hoje divulgado.

O elenco da quinta temporada de "Vikings", série de coprodução entre Irlanda e Canadá, inclui o ator português Albano Jerónimo, que veste a pele de "Euphemius, um ambicioso lutador que pretende dominar a ilha da Sicília, sem olhar a meios ou à integridade moral dos seus aliados".

A oportunidade de Albano Jerónimo integrar a série surgiu no ano passado em Portugal durante o programa "Passaporte". O diretor de 'casting' da série esteve em Lisboa para participar na primeira edição no programa criado pela diretora de 'castings' Patrícia Vasconcelos.

"Tivemos muita sorte de ele estar a precisar de um ator e de o Albano Jerónimo ter as características pretendidas", referiu Patrícia Vasconcelos em declarações à Lusa em abril a propósito da segunda edição do programa.

Para Albano Jerónimo, a participação no "Passaporte" "foi uma experiência única no percurso profissional como ator". "Eu sou nomeadamente mais um ator de teatro e esta experiência levou-me para outro nível, nem que seja por ter tido contacto com uma produção com esta envergadura", disse, em declarações à agência Lusa também em abril.

Na série, a personagem de Albano Jerónimo fala grego arcaico. "Toda esta massa de produção foi massiva para mim, nunca tinha falado grego na vida e tive um 'coach' comigo um mês só para isso, além disso filmei em três países distintos: Marrocos, Irlanda e Islândia", recordou.

A série é retomada após "a morte do rei Ragnar (Travis Fimmel) na quarta temporada, que deixou Lagertha (Katheryn Winnick) no trono, mas a luta pelo poder não vai dar descanso a ninguém, sobretudo com a ameaça e a ambição de Ivar The Boneless (Alex Hogh Andersen), filho de Ragnar, a espreitar na sombra", lê-se no comunicado dos canais TVCine&Series.

"Vikings", série escrita e criada pelo britânico Michael Hirst, estreou-se em 2013 é inspirada em Ragnar Lodbrok (ou Lothbrok), viking que viveu no século IX e cuja história de vida mistura lenda e realidade.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.

Premium

Adriano Moreira

Entre a arrogância e o risco

Quando foi assinada a paz, pondo fim à guerra de 1914-1918, consta que um general do Estado-Maior Alemão terá dito que não se tratava de um tratado de paz mas sim de um armistício para 20 anos. Dito ou criado pelo comentarismo que rodeia sempre acontecimentos desta natureza, o facto é que 20 anos depois tivemos a guerra de 1939-1945. O infeliz Stefan Zweig, que pareceu antever a crise de que o Brasil parece decidido a ensaiar um remédio mal explicado para aquela em que se encontra, escreveu no seu diário, em 3 de setembro de 1939, que a nova guerra seria "mil vezes pior do que em 1914".