"Talvez um dia alguém morra". Memorando interno do Facebook reacende polémica

Documento mostra que responsáveis estavam conscientes de alguns dos riscos da utilização da rede, mas que diziam privilegiar a missão de "ligar as pessoas"

"Ligamos pessoas. Ponto final. É por isso que todo o trabalho que fazemos para crescer é justificado. Então ligamos mais pessoas. Isso pode ser mau se o tornarem negativo. Talvez custe a vida a alguém ao expô-lo a bullies. Talvez um dia alguém morra num ataque terrorista coordenado com as nossas ferramentas." As palavras são do vice-presidente do Facebook Andrew Bosworth, num memorando de 2016 que foi divulgado na semana passada, e levaram a mais uma onda de notícias e críticas à rede social, que vive dias de grande agitação, diz o The New York Times.

O memorando foi divulgado na quinta-feira pelo site BuzzFeed, e embora já tenha sido publicamente desautorizado pelo fundador Mark Zuckerberg, levanta a questão sobre o que o Facebook está disposto a sacrificar pelo seu próprio crescimento e missão de "ligar as pessoas".

Bosworth disse entretanto que não concorda com o que escreveu, e que não concordava mesmo quando o escreveu. Era um memorando interno com o intuito de abrir as discussão, defendeu.

A mensagem, que já foi apagada do painel interno onde estava disponível, dizia ainda: "A verdade feia é que acreditamos tão profundamente em ligar pessoas que tudo o que nos permitir ligar mais pessoas com mais frequência é bom. Esta é talvez a única área em que as métricas realmente contam a história verdadeira".

Na empresa, que tem estado no centro do escândalo sobre a privacidade de dados na era das redes sociais, desde as revelações da Cambridge Analytica, há um ambiente de preocupação, relata o Times. Enquanto alguns estão focados em tentar encontrar quem divulgou este memorando antigo,outros tentam apagar comentários antigos que possam ser controversos e dar origem a mais notícias sobre a empresa.

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