Spielberg diz que produções da Netflix e Amazon não deviam concorrer para os Óscares

Realizador declara que os conteúdos produzidos pelos serviços de streaming "merecem um Emmy, mas não um Óscar"

"A televisão está melhor do que nunca. Melhores guiões, melhores realizadores, melhores atores, melhores histórias". Mas, apesar da crescente qualidade dos produtos criados para o pequeno ecrã, Steven Spielberg não acredita que isso os faça merecer uma nomeação para... os Óscares. Afinal, são conteúdos criados para televisão e para esses existe um prémio próprio: os Emmy (premiação própria para profissionais e programas de televisão).

"Cada vez menos cineastas vão lutar para arrecadar dinheiro, ou para competir no festival Sundance para tentar conseguir uma distribuidora especializada para lançar os filmes nos cinemas e cada vez mais eles vão deixar serviços de streaming financiarem os filmes, talvez com uma promessa de uma breve janela de lançamento de uma semana nos cinemas para que eles se qualifiquem a prémios. Na verdade, quando se faz em um formato para a televisão, ele vira um filme para TV. Eles merecem um Emmy, mas não um Óscar", declarou em entrevista à ITV News, durante a apresentação do seu novo filme, Ready Player One: Jogador 1, que tem data de estreia prevista nas salas de cinema nacionais a 29 de março.

Só em 2017, a Netflix e a Amazon contaram com dez nomeações para os Óscares, com a Amazon a ver o filme Manchester by the Sea nomeado para seis estatuetas, entre elas Melhor Filme, Melhor Realizador (Kenneth Lonergan) e Melhor Ator Principal (Casey Affleck). Ao todo, a Amazon acabou por levar para casa três Óscares e a Netflix um.

Curiosamente, Steven Spielberg, realizador de grandes êxitos de bilheteira como Parque Jurassico, Indiana Jones, A Lista de Schindler, entre muitos outros, estreou-se no cinema com o filme Duel - Um Assassino Pelas Costas, em 1971, que foi primeiramente criado para ser um conteúdo televisivo.

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