Que perguntas vai o Congresso dos EUA fazer a Zuckerberg?

Fundador do Facebook continua a responder pelo escândalo do uso de dados dos utilizadores da rede social

Marc Zuckerberg, o fundador e CEO do Facebook, continua a responder às várias questões em torno do mais recente escândalo que envolve a rede social que criou: a utilização, por parte da Cambridge Analytica, dos dados privados de cerca de 87 milhões de pessoas.

Zuckerberg, que será ouvido esta terça-feira pelos comités para o Comércio, Ciência, Transporte e Judiciário do Senado, e amanhã, quarta-feira, pelo Comité para a Energia e Comércio da Câmara dos Representantes, dirá aos congressistas que "o Facebook é uma companhia idealista e otimista". "Durante a maior pare da nossa existência, estivemos focados em todo o bem que conectar as pessoas pode trazer". Vai, também, assumir responsabilidades: "Não olhámos de forma alargada para a nossa responsabilidade, e isso foi um grande erro. Foi um erro meu, e peço desculpa. Comecei o Facebook, lidero-o, e sou responsável pelo que acontece".

Estas declarações, que deverão constar do discurso do fundador do Facebook, foram divulgadas em antecipação à audiência pelo Comité para a Energia e Comércio da Câmara dos representantes.

Depois de falar com vários especialistas, a Vox compilou várias perguntas que devem ser colocadas a Mark Zuckerberg pelos congressistas norte-americanos.

Assim, o Congresso quererá saber quem são os "atores maliciosos", referidos pelo Facebook, para os quais a gigante norte-americana planeia novas medidas de maneira a evitar ações de abuso. Nunca foi revelado quem seriam. Será que vão existir mais escândalos relativamente a dados e privacidade? Estar será outra das questões que os congressistas quererão ver respondidas, até porque já foi dito que mais de 2 mil milhões de utilizadores poderão estar vulneráveis.

Zuckerberg será também confrontado com o facto de ter dito que o Facebook está aberto a regulação mas, por outro lado, opor-se repetidamente a leis de privacidade, refere um dos especialistas ouvidos.

Os congressistas deverão também querer saber se Zuckerberg acha que é a pessoa ideal para liderar o Facebook e, também, se ele acha que o modelo de negócio da rede social deve mudar.

A Vox enumera ainda que, na audiência do fundador do Facebook, de 34 anos, deverá ser perguntado, não só quem é "dono" dos dados dos utilizadores da rede social, como também porque se deve acreditar que as coisas irão mudar.

Ainda entre as perguntas deverá estar o facto de Zuckerberg ter dito - no âmbito das novas leis europeias para regulação do Facebook - que novas linhas de orientação não serão aplicadas da mesma maneira em todo o lado. Há ainda o acordo com a Comissão Federal de Comércio, de 2011, que o Facebook poderá ter violado, caso se confirme que enganou consumidores relativamente à privacidade dos mesmos.

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Anselmo Borges

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