PlayStation e Xbox enfrentam-se na E3 com estratégias diferentes

Sony apresentou menos jogos e poucas novidades, enquanto a Microsoft investiu forte e anunciou uma nova consola.

Durante os primeiros minutos da conferência da Sony na E3, ninguém conseguiu perceber exatamente o que se estava a passar. Num local diferente dos últimos anos, a marca pôs a audiência quase toda de pé, numa sala com apenas alguns bancos corridos, a olhar para candelabros de pé alto e altares de madeira. "Obrigada por terem vindo à igreja hoje", provocou Shawn Layden, presidente da Sony Interactive Entertainment America, na curta intervenção que fez no início da apresentação. "Vemos os jogos como uma vocação, um chamamento", disse Layden, aludindo à componente religiosa encenada no local. A Sony quis dar aos fiéis aquilo que mais queriam: um vislumbre dos grandes jogos que aí vêm para PlayStation 4. Na véspera, já a Microsoft apresentara 50 jogos.

E são os números que podem justificar a maior tranquilidade do lado da PlayStation - venceu a guerra da sua geração de consolas, vendendo mais do dobro da Xbox One (entre 74 e 76 milhões de unidades contra cerca de 30 milhões da rival). Por isso, Phil Spencer, chefe da divisão de videojogos da Microsoft, anunciou na E3 que a empresa já está a trabalhar na próxima Xbox, algo que não teve paralelo nem contra-ataque por parte da Sony.

O maior entusiasmo foi dirigido a The Last of Us Part II (do estúdio Naughty Dog), com um preview extenso de grande qualidade gráfica. Aquilo que começou com um beijo entre duas mulheres (o que arrancou grandes aplausos) transformou-se rapidamente na brutalidade visceral de Ellie. Foi como um murro no estômago, com grandes manifestações da audiência perante a violência explícita, quase fetichista, da personagem.

O outro momento alto da conferência aconteceu com a revelação do primeiro gameplay de Death Stranding, um título visto inicialmente na E3 em 2016 e que tem como personagem principal a estrela de The Walking Dead, Norman Reedus. Não sendo ainda possível perceber de forma clara qual é a narrativa do jogo, este título de terror de Hideo Kojima (Sony Interactive Entertainment e Kojima Productions) é um dos mais aguardados de sempre para a plataforma, e a reação apaixonada da audiência voltou a confirmá-lo.

Em termos de novos exclusivos, também houve a estreia de Ghost of Tsushima, uma saga samurai passada em 1274 com cenários de cortar a respiração e muito sangue. Resident Evil 2 arrancou os urras mais pronunciados por parte de alguns presentes e recebeu data de lançamento: 25 de janeiro de 2019, com as pré-reservas a começarem esta semana. Control, novo título do Remedy e 505 Games, foi bem recebido. E ainda foi anunciada uma edição especial da PlayStation 4 com Kingdom Hearts, que no domingo se soube irá chegar pela primeira vez também à Xbox. A apresentação terminou com Spider-Man, que de resto já tinha sido o centro da estratégia da PlayStation na E3 no ano passado.

"Na história da Xbox, da E3 e da indústria, os videojogos estão no momento mais vibrantes de sempre", declarou Phil Spencer. Os números provam-no: tem 2,2 mil milhões de jogadores e movimentou 108,4 mil milhões de dólares no ano passado.

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