Peregrinação a Fátima em 1926

Mais de 50 mil crentes na Cova da Iria a 13 de outubro de 1926. Derrubada a Primeira República, o fenómeno religioso ganhava força no novo Portugal

Mais de 50 mil pessoas na "Peregrinação de ontem a Fátima", garantia o repórter do DN na Cova de Iria, na edição de 14 de outubro de 1926. O antetítulo falava de "Romagem de fé" e um destaque afirmava que "a grande procissão das luzes constituiu um espectáculo imponente". Mas é no texto que se percebe uma mudança de atitude geral em relação às aparições, datadas de 1917, quando o jornalista escreve que "a peregrinação a N.S. de Fátima não teve este ano - e assim devia ser - a mínima nota discordante. Foi respeitosa e crente". Cinco meses antes, a Primeira República, conhecida pelo seu apego ao laicismo, tinha sido derrubada pelo golpe do 28 de Maio, génese do futuro regime salazarista, muito apegado ao catolicismo. Em 1926, surge também o pequeno Manual do Peregrino de Fátima, que foi um sucesso de vendas, e foi realizado o filme mudo O Milagre de Fátima. O centenário das aparições celebra-se no próximo ano, com a vinda de Francisco a Portugal. Será o quarto Papa a visitar Fátima, hoje um dos principais santuários marianos do mundo.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.