Pequenas grandes mentiras com elenco feminino de luxo

Série com Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley já chegou ao TVSéries. O retrato de mulheres reais é o que a torna especial, diz ao DN uma das atrizes

Uma cidade aparentemente normal, calma, povoada por famílias da classe alta. Estamos em Monterey, no Sul da Califórnia, EUA. É aí que encontramos Madeleine (Reese Witherspoon), dona de uma casa na praia, mãe dedicada e exemplar, mas também uma ciumenta ex-mulher. A sua melhor amiga, Celeste (Nicole Kidman), tem a vida profissional de sonho e um casamento (aparentemente) perfeito. E depois há Jane (Shailene Woodley), mãe solteira, acabada de chegar à comunidade, com um passado misterioso e sombrio.

Assim começa Big Little Lies (em português, Pequenas Grandes Mentiras), aquela que é considerada uma das grandes apostas televisivas do ano. Transmitida em Portugal pelo TVSéries, todas as segundas-feiras às 22.45, a trama com a chancela da HBO começa por deixar dois grandes mistérios no ar, mistérios que prometem abalar a pacata Monterey: alguém será morto, mas quem? E quem será o autor do crime? As suspeitas recaem, naturalmente, sobre as três personagens principais (e mais umas quantas).

"Adoro a justaposição entre estas mulheres, que aparentemente têm tudo, que são mesquinhas e se queixam de tudo, e depois descobrimos os verdadeiros mecanismos internos de cada uma delas, descobrimos compaixão e empatia", começa por sublinhar Shailene Woodley, a Jane da história, numa entrevista obtida pelo DN.

Enquanto a ação se desenrola, se acumulam mentiras e trocas de acusações, vamos também descobrindo o lado oculto de cada uma destas mulheres. E o que as torna imperfeitas. Reais. Esse sim, é o segredo do sucesso. "O que é mais especial nesta série é o facto de termos mulheres de todas as idades, com todo o tipo de vidas, e isso é raro. Vemos gentileza, vemos ciúmes, vemos inveja, mas também vemos camaradagem, compaixão, generosidade, e vemos a capacidade de perdoar. Isso é algo muito raro em televisão ou cinema", frisa a atriz que se popularizou na saga cinematográfica Divergente. "A história foi contada a partir de uma realidade muito autêntica, que mostra aquilo que é ser mulher em 2017", explica.

Baseada no romance de Liane Moriarty com o mesmo nome, Big Little Lies contará, para já, com sete episódios. Mais do que um simples projeto televisivo, esta série tem também, segundo Shailene, a ambição de nos livrar de preconceitos e ajudar-nos a compreender onde falhamos nas nossas relações. "A série passa-se em Monterey, que é uma área predominantemente branca, privilegiada e financeiramente estável. Uma coisa que eu adorei na Jane é o facto de ela não ser essas coisas. Acho que isso mostra que temos muitos preconceitos, baseados em fachadas que têm a ver com o que se está a passar no nosso sistema político. Somos muito rápidos a julgar o outro lado, sem realmente o compreendermos. Só porque a vida é mais confortável para algumas pessoas, não quer dizer que elas não estejam a sofrer tanto quanto as outras", alerta a atriz de 25 anos.

É a diferença entre "privilégio material e emocional". "A série demonstra isso", defende Woodley. E exemplifica: "A personagem Celeste (Kidman), que é linda, tem o marido charmoso, os gémeos perfeitos e uma casa maravilhosa, também está numa relação muito abusiva, agressiva e perigosa."

Com isto, Big Little Lies ajuda a transmitir uma mensagem, na opinião da jovem atriz, muito simples. "Se quisermos chegar a algum lado enquanto país e seres humanos, precisamos de derrubar muros e começar a ter diálogos. E não deixar que os bens materiais nos impeçam de reconhecer a humanidade de outra pessoa."

Quanto à sua personagem, admite que é diferente de qualquer outra que tenha feito, e que vem também ajudar a representar mulheres da vida real. "Achei vital que a história da Jane fosse contada. Há filmes por aí sobre jovens mães e adolescentes grávidas, mas poucos daqueles que vi captaram, autenticamente, o lado maternal de alguém que é tão novo. Ela tinha, provavelmente, 19 anos quando engravidou, e agora tem 20 e poucos anos e tem um filho de 7. Está a tentar navegar no caos entre ser adulta para o seu filho, e tentar ela própria crescer", explica.

Claro que o crime é outro dos elementos-chave da série. "Ao mostrar-mos um futuro assassinato, a audiência fica logo a saber que algo muito grave irá acontecer. Não sabemos quem está morto, não sabemos quem cometeu o crime, nem sabemos porquê. Mas isso ajuda-nos a estabelecer um enredo que puxa os espectadores e os leva a questionar sobre o que se está a passar", adiantou o criador da série, David E. Kelley, em entrevista ao The Hollywood Reporter.

Mas à semelhança de Shailene Woodley, também ele defende que a série é muito mais do que crime e empowerment feminino. "Acima de tudo, é sobre amor e relacionamentos. É sobre união, amizade, e também solidão. Todas estas personagens estão à procura de si mesmas. Trata-se de autodescobrimento", sublinhou o responsável,

Realizada por Jean-Marc Vallée (do oscarizado filme O Clube de Dallas), e produzida pelas também protagonistas Reese Witherspoon e Nicole Kidman, Big Little Lies conquistou um total de 2,1 milhões de espectadores na sua estreia, só nos EUA. O que aí vem promete.

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