O quotidiano delirante de um hipermercado

America Ferrera é Amy em "Superstore". Usa sempre um crachá com outro nome.

"Superstore" estreia-se segunda-feira na TV portuguesa. É uma comédia sobre o dia-a-dia de uma grande superfície comercial e que marca o regresso de America Ferrera, a atriz que deu vida à "Betty Feia".

Junte-se uns pós de The Office ao nome Betty Feia e temos Superstore. É o retrato do quotidiano de um hipermercado, em modo de humor desarmante. Em Portugal estreia-se na segunda-feira, mas nos Estados Unidos encontra-se na reta final da segunda temporada.

Em Superstore somos convidados a entrar (e não sair) na loja número 1217 da superfície comercial Cloud9, algures nos Estados Unidos. É naqueles milhares de metros quadrados em que se pode comprar quase tudo, de armas a comida, de medicamentos a papel higiénico, que evoluem as personagens, de excentricidade variável, mas todas empregadas na empresa de retalho.

Um local onde ninguém pode controlar a temperatura ambiente e em que as condições de trabalho são tão realistas que dá mais vontade de rir do que de chorar: a pausa para refeição é de 15 minutos, só se pode ir uma vez à casa de banho e não há direito a coisas básicas como licença de maternidade (na internet não é difícil encontrar comentários de quem trabalha ou trabalhou neste meio e se sente identificado com este ambiente).

A protagonista é America Ferrera, que faz de Amy, uma empregada veterana e competente que já passou por quase todas as secções da loja. Amy não quer que os clientes saibam o seu verdadeiro nome, pelo que usa um crachá com outros nomes. Contracena com Ben Feldman (que se popularizou em Mad Men com a personagem Michael Ginsberg). Aqui é Jonah, o recém-chegado, sonhador e otimista. Completam a galeria Dina (Lauren Ash), a maníaca assistente do gerente; Glenn (Mark McKinney), o conservador e religioso gerente; Garrett (Colton Dunn), o sarcástico negro em cadeira de rodas; Mateo (Nico Santos), o ambicioso gay filipino; e Cheyenne (Nichole Bloom), a grávida menor de idade.

A cadeia NBC - que há anos se debate com a falta de resultados (leia-se audiências) nas comédias - parece ter encontrado algo em que aposta, se tivermos em conta que a rodagem da terceira temporada está assegurada. Durante a primeira temporada alcançou uma média de mais de seis milhões de espectadores (a série mais vista, A Teoria do Big Bang, ultrapassou os 20 milhões). Já a crítica mostrou-se dividida, apontando algumas fraquezas na escrita, embora reconheça que ao longo da série esta ganhe qualidade. "É divertida e artisticamente absurda ao pegar em temas que importam no dia-a-dia de muitas pessoas", apontou a editora de crítica de TV da Variety, Maureen Ryan.

Superstore marca o regresso ao pequeno ecrã de America Ferrera após uma longa pausa de cinco anos. Agora, além de atriz também alargou a sua área de competências à produção (em 15 episódios) e realização (num episódio). A primeira latina a vencer um Emmy como protagonista de uma série de TV, America Ferrera mostrou satisfação por não ter sido convidada para esta série para preencher uma quota de minorias. "Quando eu li o guião nenhum dos papéis foram escritos com raça ou etnia específicas. O único papel que tinha uma especificação era o de Mateo, que era um macho mexicano e acabou por ser um gay filipino. Tenho a certeza de que Amy é o primeiro papel para o qual sou convidada e que não tinha o rótulo de latina. Para mim isso é muito entusiasmante", disse a atriz californiana de ascendência hondurenha à Vogue.

O outro elemento a quem é atribuído um papel fulcral em Superstore é Justin Spitzer. Não só pelo facto nada despiciendo e óbvio de ser o seu criador mas também por ser o argumentista principal e ainda produtor executivo em quase metade dos episódios. Spitzer, de 39 anos, mostrou o seu talento no The Office (versão norte-americana) durante sete anos. Perante as inevitáveis comparações, o criador defende-se: "Estou sempre a tentar evitar que se pareça com The Office. Não quero que Superstore repita aquelas histórias. Tento que se sintam as coisas de forma diferente e que as pessoas gostem, como gostam do Cheers - Aquele Bar ou do Friends, séries que têm aquele "será-que-vão-ou-não-vão", mas tentando fazê-lo à nossa maneira", disse em entrevista à Decider.

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