O GT Sport em VR é suficientemente real para enjoar

A faceta de realidade virtual do novo simulador de automóveis da PlayStation é bem vinda, divertida e realista q.b. Mas está longe do nível magistral do jogo 2D

O mais recente Gran Turismo, o simulador de automóveis de referência da PlayStation, chegou às lojas na passada terça-feira e, como já aqui escrevemos, é a entrada mais "profissional", depurada, da série exclusiva da consola da Sony, que tem já 20 anos.

No GT Sport, uma das novidades é a inclusão de um modo de jogo em realidade virtual (VR na sigla inglesa), para usar com o kit PlayStation VR. E ainda que este seja um elemento interessante, está longe da quase perfeição do simulador a funcionar em modo 2D.

A começar pelo pouco que o jogo na vertente de realidade virtual permite fazer (em parte por causa, presumivelmente, das limitações do hardware):

- É possível correr em todas as pistas disponíveis no modo "arcada" do jogo 2D, mas a corrida realiza-se sempre contra um adversário apenas (sempre controlado pela inteligência artificial. Não é possível competir em VR online, contra jogadores humanos).

- Depois, por qualquer razão, a condução em VR é sempre muito ajudada. Mesmo desligando todos os sistemas de auxílio, como a travagem automática ou o "auto-steering", o controlo do carro tem sempre um elevado nível de intervenção, com a consequente redução do realismo.

- Ainda que seja evidente que os programadores tentaram explorar ao máximo as capacidades técnicas do sistema de realidade virtual da PlayStation, é em casos exigentes como este que se notam as suas limitações. O número de frames por segundo não é suficientemente alto para transmitir em pleno a sensação de velocidade e, por ser relativamente baixo (60fps interpolados para tentar simular 120), o fps contribui para algum desconforto na utilização (ler mais abaixo).

- Por fim -- e este é o detalhe que seguramente não decorre das limitações da consola, tendo sido uma opção dos programadores --, o que se joga em VR não conta para a "carreira" do jogador. Não dá pontos de experiência, créditos ou outra coisa qualquer. O que retira incentivo para utilizar este modo.

Decididamente, a adição do VR ao GT Sport é mais um "bónus" do que uma faceta bem desenvolvida.

O que não quer dizer que não tenha piada.

Dos interiores do automóvel ao cenário, passando pelo movimento das "nossas" mãos no volante, é bem divertido fazer corridas em realidade virtual. Em especial se optarmos por provas mais fora do vulgar, tipo usar um roadster descapotável numa pista de terra batida. Todo o divertimento, zero de areia nos olhos. Ora veja:

A experiência está longe de ser "como se lá estivéssemos", mas é suficientemente realista para, após umas curvas a alta velocidade, provocar enjoos.

Este desconforto tem também (muito) a ver com o referido baixo refrescamento das imagens (fps). Mas não é só isso. Há momentos em que, quando o carro foge de traseira, por exemplo, a sensação é muito parecida com o que acontece no mundo real. Chega a dar arrepios. E dores de cabeça.

Conclusão: a vertente VR de GT Sport não é razão suficiente para ir a correr comprar um kit PSVR. Nem, ao contrário, este jogo é referência para esta tecnologia na PlayStation 4. Mas se tem uma PS4 e gosta de carros, dificilmente vai querer deixar passar este novo GT (o jogo, na vertente "normal", é mesmo muito bom!). E se tem algures arrumadosnum armário os óculos de PSVR, vale a pena ir buscá-los só para dar umas voltinhas de vez em quando.

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Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

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