Netflix quer mais produções locais... e não desiste da China

Portugal "excedeu expectativas" e poderá produzir conteúdos originais, diz a diretora de comunicação da plataforma. Conheça os planos para 2016, além da negociação com a China

Falta muito pouco para a Netflix atingir uma escala planetária. Falta, mais concretamente, conquistar a China, a Coreia do Norte, a Síria e a região da Crimeia. Mas, para já, a prioridade é reforçar os conteúdos e as produções locais nos mais de 190 países onde está presente. Portugal é peça desse puzzle.

"As nossas expectativas iniciais eram elevadas, mas Portugal excedeu-as [o serviço de streaming foi lançado no nosso país em outubro de 2015]. Ainda faltam alguns anos até poder ter o mesmo catálogo que os EUA, mas isso tem apenas que ver com a dinâmica do mercado", assegurou ao DN a diretora de comunicação da Netflix para a Europa, Yenia Zaba, sem avançar, como já é prática da empresa, o número de subscritores.

Uma das principais estratégias da plataforma, para crescer a nível mundial, tem sido apostar em produções locais. Por cá, surgiram agora os primeiros sinais disso mesmo, com a chegada da série Sal, da telenovela Rosa Fogo ou da série juvenil Lua Vermelha (transmitidas originalmente pela SIC). E "todos os meses existirão novidades", revelou ainda a responsável.

À semelhança de países como França e Alemanha - onde foram produzidas duas das grandes apostas futuras, Marseille e Dark, respetivamente -, também em Portugal estão previstas produções com equipas e elencos nacionais, que serão distribuídas pelos quase 200 países subscritores. "É algo que estamos a analisar. Em todos os países começamos apenas com um catálogo geral, vamos estudando as reações do público e só depois começamos a introduzir produtos locais, como está a acontecer agora em Portugal", explicou Yenia Zaba, sublinhando: "Estamos à procura de boas histórias que funcionem em todos os lugares. O entretenimento é global."

Ainda de olho na China

Muitos duvidam de que a entrada da Netflix na China (um dos maiores mercados do mundo e dos mais resistentes a novos conteúdos) se venha a concretizar. Mas a diretora de comunicação da plataforma assegura que "as negociações continuam". "Sabemos que vai ser complicado e que só poderemos lá chegar com um partner, mas estamos confiantes de que será possível."

É também a "longo prazo" que pensa o CEO da empresa, Reed Hastings. "Temos uma perspetiva muito a longo prazo. A discussão tanto pode demorar anos como pode acontecer rapidamente. Vamos levar o tempo que for preciso", frisou, numa conferência entre investidores, comparando este cenário à chegada do iPhone ao país presidido por Xi Jinping. "Demorou muitos anos até que a Apple conseguisse aprovação para isso. E agora é um grande mercado. Por isso, se quisermos zelar pelo bem do negócio daqui a uma década, devemos ser muito pacientes e continuar a construir relações."

Novidades 2016

Pelo menos neste ano, a empresa já tem muito com que se entreter. Além do lançamento das segundas temporadas de O Demolidor (18 março) e de Grace and Frankie (8 maio), e das estreias mundiais de Marseille (5 maio), Flaked (11 março), The Ranch (1 abril) e The Crown (a anunciar), avizinha-se a chegada da quarta temporada de Orange is the New Black, a 17 de junho. Tome também nota do regresso de Jessica Jones (ainda sem data prevista), de Unbreakable Kimmy Schimdt (a 15 de abril) e do arranque de The Get Down (série que recorda o surgimento do hip hop na década de 1970, com estreia marcada para 12 de agosto).

Em Portugal, um dos conteúdos mais esperados, House of Cards, chegou neste fim de semana. Por enquanto, ainda só estão disponíveis as três primeiras temporadas, a quarta será lançada,"na íntegra, no final de maio", avança ao DN um porta-voz do serviço de televisão por internet.

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