Netflix já está em Portugal: um guia com tudo o que precisa de saber

Serviço de televisão por Internet já está disponível online

O Netflix já está em mais de 50 países e conta mais de 65 milhões de utilizadores. Desde as zero horas desta quarta-feira que os telespectadores portugueses também têm acesso a mais de 100 milhões de horas de programas de TV e filmes por dia, incluindo séries originais, documentários e longas-metragens.

Como ver e quanto custa?

A estreia do Netflix em Portugal faz-se em parceria com a Vodafone. Quem quiser o serviço de 'streaming' tem opções a partir de 7,99 euros por mês, em definição "standard". O preço sobe para os 9,99 euros para dois ecrãs HD e, por 11,99 euros será possível ver o Netflix em quatro ecrãs em Ultra HD 4K. Os clientes da Vodafone terão acesso ao serviço a partir da sua box (daí a parceria). Todos os outros poderão aceder a partir de uma SmartTV, por computador, tablets, smartphones e outros dispositivos com ligação à Internet. Existe também uma 'app' para PlayStation, Xbox e AppleTV.

O que vai poder ver?

Em relação aos conteúdos, os portugueses poderão finalmente ver na televisão alguns exclusivos Netflix, como o filme Beasts of No Nation - que estreou na semana passada - e ainda a série Jessica Jones, da Marvel, que deverá ser lançada até ao final do ano.

Estarão igualmente disponíveis as três temporadas de Orange is The New Black, uma das séries galardoadas do Netflix que tem como cenário principal uma prisão de mulheres, e ainda todos os episódios das séries Sense8, Demolidor, Bloodline, Grace and Frankie, Unbreakable Kimmy Schmidt e Marco Polo.

Os documentários Virunga, Mission Blue e Chef's Table também fazem parte da grelha, que inclui programação infantil e especiais de stand-up.

Quando?

Todos os conteúdos estão legendados em português e podem ser visualizados a qualquer hora que o espectador pretenda. Conteúdos em português não estão para já confirmados, mas sabe-se que tem havido negociações entre o serviço e os canais privados.

A cara das campanhas de publicidade do Netflix em Portugal será Nuno Markl, conhecido fã do serviço de televisão por Internet.

Com Ricardo Simões Ferreira

(Notícia retificada: esclarece o que significa a parceria da Netflix com a Vodafone TV)

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Uma multidão de corruptos injusta e pessoalmente perseguidos

Nenhum agente público no Brasil, nem mesmo o presidente da República, pode ganhar acima de 33 mil reais por mês. Isso equivale a pouco mais de oito mil euros - o que, para as responsabilidades de certas funções, pode ser considerado um salário modesto. Mas você ficaria surpreso ao ver como, no Brasil, esse valor ganha uma extraordinária elasticidade e consegue adquirir coisas que, em outros países, custariam muito mais dinheiro. Com ele, nossos políticos compram, por exemplo, redes inteiras de estações de rádio e televisão, prédios de 20 ou mais andares em regiões de proteção ambiental e edificação proibida e extensões de terra maiores do que a área de certos países europeus. É um fenómeno. Mais surpreendente ainda foi o que descobrimos esta semana. O governador do estado do Rio - cuja capital é a infeliz cidade do Rio de Janeiro -, Luiz Fernando Pezão, fez apenas 11 saques em suas contas bancárias de 2007 a 2014. Alguns desses saques eram no valor de três euros, o que lhe permitiria comprar no máximo um saco de pipocas, e nenhum acima de oitocentos euros. Por mais que Pezão pareça um sujeito humilde e desapegado, como se pode viver com tão pouco? Talvez tivesse dinheiro em espécie acumulado em algum lugar - quem sabe um cofre em sua casa ou mesmo o seu próprio colchão -, do qual fosse retirando apenas o suficiente para seus alfinetes. Não por acaso, a Polícia Federal prendeu-o na semana passada, acusando-o de ter recebido o equivalente a dez milhões de euros de propina, naquele período em que ele era vice-governador do então titular Sérgio Cabral - que, por sua vez, está condenado por enquanto a 197 anos de prisão por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Cabral é acusado também de ter cerca de 85 milhões de euros em depósitos fora do Brasil. Onde estarão os milhões de Pezão? E Michel Temer, dentro de 20 dias a contar de hoje, deixará de ser presidente do Brasil. No dia 1 de janeiro, uma terça-feira, passará a faixa presidencial a seu sucessor e perderá a imunidade que o impede de ser condenado por atividades ilícitas anteriores ao seu mandato. É quase certo que, já no dia seguinte, agentes da Polícia Federal baterão à sua porta em São Paulo, para levá-lo a explicar-se sobre as atividades ilícitas praticadas antes e durante o mandato. Explicações que ele terá dificuldade para dar, já que os investigadores parecem ter provas robustas de suas trampolinagens. E não se pense que tudo nessa turma se refere a milhões - uma inocente obra de reparos na casa de uma filha de Temer em São Paulo, "oferecida" por um empresário, indica um gesto de gratidão desse empresário por certa obra de vulto em que Temer, como presidente, o favoreceu. Nem toda a corrupção tem o dinheiro como fim. Ele pode ser também um meio - para se chegar ao mesmo fim. No caso do Brasil, foi o que prevaleceu nos últimos 15 anos: o desvio de dinheiro público para a manutenção do poder político, eternizando o desvio de dinheiro público. É uma equação diabólica, principalmente se maquiada de uma tintura ideológica - práticas de direita com um discurso de esquerda. E não se pense também que isso envolveu apenas os políticos. A Operação Lava-Jato, que está botando para fora os podres do país, condenou até agora 65 pessoas à prisão, das quais somente 13 políticos, num total de quase duzentas em fase de investigação ou já denunciadas. Entre estas, contam-se doleiros, operadores de câmbio, publicitários, lobistas, pecuaristas, irmãos, cunhados, ex-mulheres e "amigos" de políticos e carregadores de malas de dinheiro, além de funcionários, gerentes de serviço, executivos, tesoureiros, diretores, sócios-proprietários e presidentes de grandes empresas. Entre os presos ou investigados, estão também um ex-presidente da Câmara dos Deputados, um ex-presidente do Senado, vários ex-ministros de Estado (dos quais três ex-ministros da Fazenda), três ex-tesoureiros do Partido dos Trabalhadores, meia dúzia de altos funcionários da Petrobras, o ex-presidente do banco de desenvolvimento nacional, seis ex-governadores estaduais, os presidentes das quatro maiores empresas de construção civil do Brasil e quatro ex-presidentes da República. Um deles, Luiz Inácio Lula da Silva. Portanto, quando lhe falarem que o querido Lula está sofrendo uma perseguição pessoal e injusta, pense nos citados acima, tão injusta e pessoalmente perseguidos quanto ele.

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