Milhares pedem fim de canal do YouTube por induzir a anorexia

A norte-americana Eugene Cooney pesa pouco mais do que 27 quilos. Os críticos dizem que os seus vídeos levam outras raparigas à doença

Mais de oito mil pessoas já assinaram uma petição para acabar com o canal do YouTube da jovem norte-americana Eugenia Cooney. Em causa está o seu corpo, com pouco mais de 27 quilos, que consideram poder incentivar outras a anorexia.

"A Eugenia Cooney tem uma grave doença e precisa de procurar ajuda. Ela não tem estado a melhorar, está cada vez mais doente. Parece que se prejudica a ela própria para mostrar a jovens raparigas, às suas seguidoras, que não faz mal sofrer de uma doença como a anorexia nervosa", lê-se na petição lançada no site Change.org.

O seu público no YouTube tem entre os 12 e os 21 anos, idades "críticas" para o desenvolvimento de um distúrbio alimentar. "A Eugenia está a dar um mau exemplo aos seus seguidores, aos seus fãs e amigos", lê-se ainda no texto publicado por Lynn Cloud.

A youtuber norte-americana publica vídeos sobre roupa, maquilhagem, fenómenos da cultura popular como os pokémon ou partidas.

A própria mãe da jovem youtuber já admitiu, publicamente, que a filha se recusa a comer. "Desde que ela saiu da casa da mãe, recentemente, tem ficado cada vez mais magra. Não se trata, claramente, de elevado metabolismo, mas de uma situação forçada. Quando se comparam fotografias dela às de uma supermodelo magra, ela ganha 10 vezes".

Cooney, que conta com mais de 800 mil seguidores no YouTube (e mais de 81 milhões de visualizações) já reagiu à polémica através da publicação de um novo vídeo. "Peço desculpa a toda a gente que está zangada comigo. Não estou a tentar fazer nada de errado. Nunca tentei influenciar ninguém, nem encorajar pessoas a serem como eu", frisou.

Segundo a Associação Nacional de Anorexia Nervosa (ANAD) dos EUA, a cada 62 minutos uma pessoa morre como resultado de um distúrbio alimentar. Só nesse país, pelo menos 30 milhões de pessoas sofrem de uma doença desse tipo.

Em Portugal, de acordo com dados da CUF, a anorexia nervosa afeta 0,3% a 0,4% da população, sendo que 90% dos casos ocorrem no sexo feminino. Estima-se ainda que formas parciais da doença se registem em 12,6% das adolescentes, que cerca de 7% apresentem uma perturbação da imagem corporal, e que 38% das jovens com peso normal manifestem desejo de perder peso.

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Rosália Amorim

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