Manifestação pela Índia Portuguesa em 1960

Salazar dizia que Portugal ia do Minho a Timor, e Goa, claro, estava incluída. Mas nem todas as manifestações a favor da Índia portuguesa em Lisboa impediram que Nehru desse ordem de invasão

Foram várias as manifestações em Lisboa em defesa de Goa, Damão e Diu como parte de um Portugal "uno e indivisível". Os fotógrafos do DN registaram a de 19 de outubro de 1960, com passagem pelo Largo de Camões, mas sobretudo a de 13 de abril do mesmo ano, organizada pelo regime salazarista para celebrar uma decisão do Tribunal Internacional de Justiça a favor de Portugal. Era reconhecido o direito de passagem aos portugueses entre o litoral de Damão e os enclaves sujeitos à sua administração, de Dadrá e Nagar-Aveli. Apesar das fortíssimas pressões anexacionistas da Índia, que depois de se tornar em 1947 independente dos britânicos conseguiu também que os franceses entregassem as suas possessões, Portugal resistia, argumentando com os direitos históricos de 450 anos de presença em Goa, onde a cultura portuguesa estava muito enraizada. Mas a 18 de dezembro de 1961 o primeiro-ministro Nehru cansou-se de esperar por uma vontade negocial portuguesa e ordenou o avanço das tropas indianas sobre Goa. Foram 36 horas de combate, com a derrota de Portugal. Era o princípio do fim do império.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.