MacGyver está de volta e continua capaz de tudo

Nos EUA, a estreia do reboot da história da década de 1980, na época interpretada por Richard Dean Anderson, foi a melhor da CBS em dez anos. O novo herói chega hoje a Portugal

Adverso a armas, ele era capaz de fazer bombas a partir de fertilizantes ou carregar a bateria de um carro com uma garrafa de vinho. Génio da física e rei no imaginário dos anos 1980, MacGyver regressa hoje numa versão atualizada.

A Fox estreia a nova edição da série norte-americana às 22.15, e a criatividade continua a ser uma parte importante da série. Neste reboot, Angus MacGyver, que é interpretado por Lucas Till, surge-nos antes dos acontecimentos que deram origem à trama original, protagonizada por Richard Dean Anderson. Mac é aqui um criador e promotor de uma organização clandestina dentro do governo dos Estados Unidos.

Mais jovem do que nos episódios que conhecemos, tem cerca de 20 anos e começa logo nesta idade a utilizar a inteligência e o conhecimento científico que o celebrizaram para resolver problemas de forma original.

A acompanhá-lo neste novo enredo estará uma equipa constituída por Jack Dalton (George Eads), um antigo agente da CIA, Patricia Thornton (Sandrine Holt), uma antiga operacional agora feita diretora de operações, e Riley Davis (Tristin Mays), uma hacker irreverente que contribuirá para que o protagonista também se consiga desenrascar no meio virtual.

Os novos capítulos da série, cujos títulos corresponderão sempre ao nome de uma ferramenta utilizada no decorrer da resolução dos casos com que o herói se depara, tais como Corta-Fios ou Abre-Latas, decorrem na atualidade, apesar de remeterem para um período da vida dos protagonistas anterior ao da série lançada há três décadas. Uma particularidade que permitirá ver o protagonista, um autêntico inventor em permanente movimento, a interagir também com os mais recentes gadgets tecnológicos.

Realizador de Saw e na estreia

O primeiro episódio-piloto da série, bem como o seu trailer promocional, não foram bem recebidos pelos grupos de foco junto dos quais a CBS procurou avaliação. Assim, a estação televisiva acabou por dispensar todo o material já gravado e dar um novo rumo à história, que nesta primeira tentativa era mais focada na origem e evolução do herói.

O enredo acabou assim por ser posteriormente transformado, de modo a corresponder àquilo que tradicionalmente se associa a MacGyver - ação fácil e diversão familiar. Para isso, o capítulo inicial foi completamente refilmado e o elenco foi alterado, tendo sobrado apenas o protagonista Lucas Till e George Eads, também conhecido pelo seu trabalho em C.S.I.

Para atingir um resultado final mais focado na componente de ação, a CBS chamou James Wan, que realizou o sétimo filme de Velocidade Furiosa e os três primeiros filmes da saga Saw, para refilmar o primeiro episódio.

São as cenas de confronto e combate que têm motivado mais Lucas Till, o ator principal do enredo. "As cenas de luta são incríveis, para falar a sério", referiu a estrela ao New York Post durante um intervalo das gravações. "Uma pessoa magoa-se um bocado, mas isso mantém a adrenalina à flor da pele. E não é nada de que não possa recuperar. Hoje alguém se cortou com uma arma. Eu feri a minha mão aos murros a um carro. Mas, de certa forma, gosto disso", acrescentou.

"O meu duplo está sempre sentado nos bastidores", gracejou numa declaração ao programa Entertainment Today.

A contínua exigência da rotina de gravações, que ocupa 14 horas diárias, não tem dado tempo ao artista para estar com a família ou passar tempo com os fãs. Recentemente, apesar de estar a gravar em Atlanta, perto da cidade de Marietta, onde nasceu, Lucas não conseguiu estar com os parentes mais próximos. "Esta série chama-se MacGyver e eu tenho de estar aqui todos os dias. Provavelmente há muitas raparigas por aí, que veem a série, mas eu não tenho tempo para falar com elas", explicou Till.

Melhor audiência numa década

"Atualizaram tudo menos o cabelo de MacGyver", aponta o Boston Herald. No The Guardian, o crítico Brian Moylan garante que, "apesar de já terem passado décadas, MacGyver ainda é bom e divertimento saudável, especialmente para aqueles que se deitam tarde numa noite em que não há escola no dia a seguir". Foi um dos poucos especialistas a dar nota positiva ao reboot.

"Se desligares o cérebro, esta não é a pior maneira de passares uma hora. Mas não é uma série particularmente boa", aponta, por sua vez, o Salt Lake Tribune.

Apesar da má reação dos críticos, as audiências nos Estados Unidos têm correspondido. 14,11 milhões viram o primeiro episódio da série quando estreou na CBS, em finais de setembro. De acordo com os dados de audiência da Nielsen Ratings, esta é a melhor estreia do canal em dez anos, superando Ghost Whisperer, que arrancou em 2005. Foi também o melhor resultado de sempre para uma série transmitida à sexta-feira, tradicionalmente um dia de menor consumo televisivo.

Nos episódios seguintes, os valores mantiveram-se acima dos dez milhões de espectadores, o que é considerado um bom número para os padrões habitualmente alcançados pela cadeia televisiva.

A primeira versão da trama, emitida em Portugal pela RTP1 e mais tarde pela TVI, esteve no ar durante sete temporadas, entre 1985 e 1992. A nova série, que conta com a produção de Henry Winkler, também produtor da versão original, já foi renovada para uma segunda temporada completa, de 22 episódios, e estará no ar pelo menos até junho.

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