Liberdade de imprensa diminuiu em "nova era de propaganda"

Situação é especialmente grave na América Latina, denuncia a organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras

A liberdade de imprensa deteriorou-se em 2015, especialmente no continente americano, denunciou hoje a organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras, alertando para uma "nova era da propaganda".

O Índice Mundial da Liberdade de Imprensa dos Repórteres Sem Fronteiras de 2016, divulgado hoje, regista uma descida em todo o mundo, segundo Christophe Deloire, secretário-geral desta organização sediada em Paris, com a América Latina como motivo particular de preocupação.

"Todos os indicadores se deterioraram. Numerosas autoridades estão a tentar recuperar o controlo dos seus países, temendo o debate público aberto", disse Deloire à agência de notícias AFP.

Este 'ranking' lista 180 países segundo indicadores como a independência dos meios de comunicação social, a autocensura, a legislação, a transparência e abusos.

"É hoje muito mais fácil aos poderes dirigirem-se diretamente ao publico através de novas tecnologias e isso representa um maior grau de violência contra aqueles que representam a liberdade de imprensa", afirmou Christophe Deloire.

"Estamos a entrar numa nova era de propaganda em que as tecnologias permitem a disseminação a baixo custo", acrescentou.

Para os Repórteres Sem Fronteiras, a situação é especialmente grave na América Latina, com o relatório deste ano da organização a apontar a "violência institucional" na Venezuela e no Equador, o crime organizado nas Honduras, a impunidade na Colômbia, a corrupção no Brasil e a concentração de meios de comunicação social na Argentina como os principais obstáculos à liberdade de imprensa.

Nos últimos lugares do 'ranking' surgem países como a Síria, a China, a Coreia do Norte e a Eritreia.

Finlândia, Holanda e Noruega continuam a ocupar os primeiros lugares do índice.