Jornalistas do NM premiados por artigo sobre inclusão social

Cláudia Pinto e o fotojornalista Nuno Pinto Fernandes receberam um Prémio Dignitas pela reportagem Semear a Mudança

Os Prémios Dignitas, que distinguem os melhores trabalhos jornalísticos publicados nos órgãos de comunicação social portugueses, premeiam nesta sua oitava edição, na categoria de imprensa, dois profissionais do Diário de Notícias. Tratam-se da repórter Cláudia Pinto e do fotojornalista Nuno Pinto Fernandes, autores da reportagem Semear a Mudança, que foi publicada em dezembro de 2015 na revista Notícias Magazine.

Palavras e imagens, no seu conjunto, encarregaram-se de retratar o dia a dia de jovens portadores de deficiência intelectual, com o objetivo de promover a inclusão no mercado de trabalho, dando-lhes autonomia e qualidade de vida. A reportagem acompanhou alguns dos 42 jovens envolvidos no projeto Semear da instituição BIPP - Soluções para a Deficiência, que recebem aulas práticas e teóricas no Instituto Superior de Agronomia.

Este ano, o prémio máximo - Prémio Dignitas - é atribuído à jornalista da SIC Miriam Alves, autora da reportagem Impossível é só um exagero, que durante sete dias acompanhou crianças cegas numa colónia de férias, levando-as a falar sobre os seus medos, descobertas, desafios e superações. Na categoria de rádio, é distinguido Pedro Mesquita, da Rádio Renascença, com O extraordinário mundo de Irina; em jornalismo digital, Vera Moutinho, do jornal Público, com O que é isso da Vida Independente; e em jornalismo universitário, Tomás Albino Gomes, da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), com A Genética do Amor. A Menção Honrosa de Televisão será atribuída a Mafalda Gameiro, pela reportagem da RTP Corpo Sentido.

O júri desta oitava edição, que analisou um total de 29 peças jornalísticas, é composto por Humberto Santos, da Associação Portuguesa de Deficientes, Anabela Lopes, da ESCS, António Belo, da Amnistia Internacional, entre outros. A entrega de prémios decorre na próxima terça-feira, 3 de maio, no Grande Auditório do Edifício Novo da Assembleia da República. Estará presente a Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes. em representação do Governo. C.M.

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Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

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Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.