Inauguração do metro de Lisboa em 1959

Presidente Américo Tomás fez a viagem inaugural, num comboio benzido pelo cardeal Cerejeira e que partiu da estação dos Restauradores pouco depois das 11 da manhã de 29 de dezembro

A primeira página do DN de 30 de dezembro de 1959 é marcada por duas notícias principais: o almoço de aniversário do próprio jornal, que celebrou na véspera os 95 anos, e a primeira viagem no metro de Lisboa. Ora, nascidos no mesmo dia mas com quase um século de diferença, o DN vai a caminho dos 152 anos, enquanto o metro faz 57. Mas olhando para a história da Europa, Lisboa até foi das capitais que tardaram a apostar num destes comboios que percorrendo túneis nas cidades se transformaram no meio de transporte urbano de maior sucesso. Londres, por exemplo, tem metro desde 1863, enquanto Budapeste inaugurou o seu em 1896, o primeiro da Europa continental, quando havia ainda império austro-húngaro. Mas se o presidente Américo Tomás estreou o metropolitano a 29 de dezembro, só no dia seguinte os lisboetas puderam experimentar a modernidade. Como escreveu o DN, "o metropolitano que é posto hoje ao serviço do público foi ontem inaugurado pelo Presidente da República". Foram 11 as estações iniciais. Hoje são 56.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.