Sofia Carvalho, diretora da SIC mulher, de saída da SIC

Imprensa diz que processo de rescisões afeta apenas a SIC

A Impresa confirmou hoje à Lusa que levou a cabo um processo de rescisões que ficou esta semana concluído e "afetou apenas a SIC", disse à Lusa fonte oficial do grupo.

"Procedeu-se a uma reestruturação nalgumas áreas, onde se destaca a dos canais temáticos, em que serão implementados novos processos funcionais, mais coesos, que permitam reforçar e consolidar as audiências dos canais", concluiu fonte oficial.

O lucro do grupo Impresa recuou 31,5% no ano passado, face a 2015, para 2,8 milhões de euros, e as receitas consolidadas caíram 10,8%, para 206 milhões de euros.

De acordo com fontes do grupo contactadas pela Lusa, o processo de rescisões agora concluído deverá afetar entre 15 a 20 pessoas, das quais sete são jornalistas, onde se incluem operadores de imagem.

Entre as saídas consta a diretora do canal temático SIC Mulher, Sofia Carvalho.

Entretanto, a direção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) anunciou hoje que pediu uma "reunião urgente" ao Conselho de Administração do grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão, "após ter tomado conhecimento de que está em curso um processo de dispensa de trabalhadores".

No âmbito do Plano Estratégico da Impresa para o triénio 2017-2019, divulgado na semana passada, o grupo prevê, entre outras metas, "concentrar em negócios e marcas com potencial de crescimento, reduzindo ou repensando as atividades que não tenham um contributo estratégico para o grupo, e simultaneamente encontrar novas oportunidades de investimento, obtendo até ao final do triénio um EBITDA [resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações] de 1,5 milhões de euros em novos negócios".

Este é o segundo grupo de media com processos de rescisões conhecido esta semana, depois de fonte oficial da Cofina Media ter admitido na segunda-feira, em declarações à Lusa, que a dona do Correio da Manhã e Jornal de Negócios, entre outros títulos, "tem vindo a ajustar as suas equipas, reduzindo na imprensa e apostando cada vez mais no digital, na multimédia".

O grupo liderado por Paulo Fernandes adiantou ainda que "não coloca de lado a utilização dos meios legais disponíveis, se tal for necessário, para ajustar a sua atividade às tendências de mercado".

Numa informação interna, a que a Lusa teve acesso, é referido que a quebra de receitas de publicidade continua e acentuou-se no início deste ano, sobretudo no mês passado, pelo que a Cofina decidiu avançar para um programa de corte de 10% de custos.

Na sexta-feira passada, a Cofina divulgou que o seu lucro caiu 14,4% em 2016, face ao ano anterior, para 4,3 milhões de euros, e que as receitas operacionais recuaram 0,7% para 99,9 milhões de euros.

De acordo com fontes do grupo Cofina contactadas pela Lusa, títulos como o Correio da Manhã e Jornal de Negócios têm processos de rescisões em curso, afetando cerca de cinco trabalhadores em cada um dos títulos.

No início da semana, o SJ manifestou-se "profundamente preocupado com as informações que lhe têm chegado através dos trabalhadores da Cofina, que, em parte", foram confirmadas pela administração do grupo, com a qual voltou a reunir-se recentemente.

De acordo com o SJ, "vários jornalistas do grupo têm sido chamados e confrontados com propostas de rescisão de contrato, nos últimos dias".

Numa reunião, realizada entre o sindicato e a administração da Cofina, "esta reconheceu que o grupo poderá avançar para o despedimento de dezenas de dezenas de trabalhadores", sendo que os administradores Luís Santana e Alda Delgado "classificaram os resultados dos dois primeiros meses como 'dantescos', dadas as quebras nas vendas das várias publicações do grupo e também nas receitas de publicidade".

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