Herman regressa ao lado de Rueff e com homenagem a Nico

O humorista estreia hoje Cá por Casa. O genérico do talk show inclui uma referência a Nicolau Breyner, com quem se iniciou em TV

O programa que a RTP1 estreia esta noite, pelas 23.00, não só assinala o regresso de Herman José ao formato de talk show mas também faz uma homenagem a Nicolau Breyner, que morreu em março passado. "A letra do genérico termina com "resplandecente, irreverente, sempre feliz e contente". É uma homenagem, um piscar de olho, ao Nicolau, com quem eu, há 40 anos, estava a viver este tipo de momentos", explicou o humorista, recordando a sua estreia em televisão, em 1975, ao lado do ator na rábula Sr. Feliz e Sr. Contente do programa Nicolau no País das Maravilhas.

Herman recorda, dessa época, o espírito que se vivia em estúdio e que em muito se assemelha ao que encontra nos bastidores deste seu novo Cá por Casa. "Era um espírito de não haver muito dinheiro, de termos de contar muito com a boa vontade das pessoas", afirmou Herman José.

Mas era também uma época de "experimentalismo" que o apresentador acredita que a RTP está a "recuperar". No caso deste novo formato, o "único drama" que sentiu da parte da direção de programas e da administração da estação pública foi quando lhe disseram que, "se calhar, fazer isto é um bocadinho mais caro do que fazer um talk show normal". "Respondi: "Pois, se calhar." E efetivamente é um bocadinho mais caro", contou o apresentador durante uma visita ao estúdio da Valentim de Carvalho onde Cá por Casa é gravado.

O formato, que mistura entrevistas a convidados em estúdio, música, culinária e sketches é definido pelo seu mentor como um espaço que "vai buscar a lógica das variedades, o que é importantíssimo". "Um canal nacional de Estado tem obrigação de ter um espaço aberto aos músicos. Não de manhã e à tarde para fazerem um playback, mas para mostrarem o rigor da sua arte", frisou.

Rita Guerra e Raquel Tavares são, neste sentido, as primeiras convidadas musicais, às quais se juntam o jornalista e diretor adjunto de Informação Vítor Gonçalves e os atores Marcantónio del Carlo, Henrique Mello e Artur Garcia (estes da série Miúdo Graúdo, que a estação emite às quintas-feiras).

Para Herman José, uma das prioridades é a comunidade de portugueses espalhados pelo mundo. "É um programa feito a pensar muito na RTP Internacional. No final dos anos 1990, eu tornei-me um produto de estúdio e não tinha relação com o mundo exterior. Vivíamos numa bolha, fazendo aquilo que achávamos que alguém ia gostar. Hoje, sei precisamente quem é que nos vê e por que é que nos vê", sublinhou, referindo-se aos espetáculos ao vivo que nos últimos anos tem realizado dentro de e além-fronteiras.

"O canal nacional tem obrigação de oferecer um pouco de diferença, mesmo que por vezes haja dores de crescimento e dores de parto. Vale a pena correr este risco, caso contrário não vale a pena ter RTP. Era fechar e abrir antes mais um canal de fazer chouriços e depois com audiências maravilhosas", referiu.

Para a direção de programas da RTP1, Cá por Casa apresenta-se como um programa "consistente", nas palavras de Daniel Deusdado, que garante a sua emissão até, pelo menos, ao verão de 2017. "O Herman é um dos ativos da estação e esta é a melhor forma de, neste momento, lhe darmos um grande projeto", explicou. A exceção será apenas às quartas-feiras de Liga dos Campeões, dia em que o talk show não será emitido.

Maria Rueff é "um presente"

"Para mim, a Maria não é uma atriz normal que se recrute", começou por dizer Herman José sobre a participação de Maria Rueff (com quem protagoniza também Nelo & Idália) no programa. "Ela é a mais importante comediante da sua geração e esta direção de programas entende isso. Por isso, é um presente que me dão. O facto de a ter condiciona completamente o programa, que é atravessado por uma empregada e por outras personagens da Maria quase em regime de coapresentação", prosseguiu o humorista, acrescentando que não vê, "neste momento, nenhuma outra comediante a quem pudesse delegar esse papel".

Já Rueff referiu que a "paixão artística" por Herman "é como respirar em conjunto". "Neste formato, sinto qualquer coisa de justiça poética, não só como par do Herman mas como espetadora do seu talento. Sinto que isto é o seu produto maduro", terminou.

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