Hashtag, googlar, instagramar. A nova gíria dos media

O Novo Dicionário da Comunicação, apresentado esta quinta-feira, reúne termos de várias gerações do jornalismo. Chega hoje às livrarias

Tudo começou por causa de um estagiário. "Tivemos uma discussão por causa de uma palavra que ele não conhecia e obriguei-o a fazer uma lista", começou por contar Rodrigo Moita de Deus. "A surpresa é que no final apareceu uma data de palavras que eu próprio não conhecia. Acabámos por criar um documento partilhado, no qual fomos acrescentando vários termos e conceitos, e ao fim de um ano e meio tínhamos um dicionário mais ou menos alinhavado."

Assim nasceu o Novo Dicionário da Comunicação, ontem apresentado às 19.00, na Escola Superior de Comunicação Social. É a obra de estreia da Biblioteca do News Museum, espaço dirigido por Moita de Deus. "É um instrumento de trabalho sobretudo para estudantes. Pensámos nele para quem está a começar agora na área da comunicação, mas é algo que também faz falta a um profissional", esclareceu.

Termos como "Snapchat", "Periscope", "Hashtag", "Googlar", "Blogar" ou "Instagramar" fazem já parte deste dicionário "multigeracional", no qual colaboraram cerca de 14 pessoas. "Tudo gente relacionada com o meio: jornalistas, profissionais de comunicação, desde as direções de comunicação aos meios publicitários e académicos."

Um dos especialistas que assinam a obra é Pedro Correia, antigo jornalista do DN. "É uma obra com um conjunto de olhares variados, de percursos profissionais e gerações diferentes e que pretende descodificar a linguagem muitas vezes encriptada do mundo da comunicação ao cidadão comum", explicou. O seu papel neste processo foi, aliás, essencial. "Escrevi vários textos e coordenei esta vasta equipa. Tentei dar algum fio condutor ao trabalho."

Alguns dos conceitos "mais clássicos" do jornalismo foram precisamente escritos por Pedro Correia. "Contribuí, por exemplo, com "jornalismo", com "jingle", "rádio", "televisão", entre outros", revelou o jornalista.

Luís Paixão Martins, presidente da Associação Acta Diurna e responsável pela Biblioteca do News Museum, juntamente com Rodrigo Moita de Deus, esteve encarregue do prefácio e, também, da apresentação da obra ao público. Aproveitou o seu tempo de antena, sobretudo, para avançar pormenores sobre o museu, que irá abrir portas a 3 de março. "Para além da biblioteca, teremos muitos espaços interativos, como uma sala de homenagem a grandes jornalistas, uma espécie de panteão, uma sala sobre jornalistas que se tornaram notícia e até uma sala sobre futebol." Sabe-se ainda que o curador do espaço dedicado ao jornalismo de guerra será José Rodrigues dos Santos.

Na apresentação, esteve também em palco Gonçalo Martins, diretor da Chiado Editora, parceira deste projeto. E resumiu-o de uma forma muito simples: "É uma pedrada no charco. Algo que nunca se viu antes."

O Novo Dicionário da Comunicação está à venda a partir de hoje nas principais livrarias do país. O preço, avança Moita de Deus, "ronda os 12 euros".

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