Trump a decapitar a Estátua da Liberdade? Der Spiegel explica

Editor da Der Spiegel disse que Trump é uma ameaça aos valores da liberdade e liberdade de expressão

O editor chefe da revista Der Spiegel afirmou que a capa de sábado que mostra Donald Trump com a cabeça decapitada da Estátua da Liberdade foi uma resposta da publicação alemã à ameaça que este líder representa para a democracia.

Em declarações à Reuters, Klaus Brinkbaeumer afirmou que "a Der Spiegel não quer provocar ninguém".

A capa da revista provocou reações intensas a nível internacional e debates nos meios de comunicação e redes sociais, incluindo sobre a relação entre a Alemanha e os Estados Unidos. Brinkbaeumer disse ter ficado surpreendido.

A ilustração criada por Edel Rodriguez, um imigrante cubano nos Estados Unidos, mostra Donald Trump com a cabeça sangrenta da Estátua da Liberdade numa mão e, na outra, uma faca coberta de sangue. Na imagem aparece ainda a frase: "America First", (América primeiro, em português).

"Queremos mostrar que isto é sobre democracia, liberdade, liberdade da imprensa, liberdade de justiça - e tudo isto está a ser verdadeiramente ameaçado", disse o editor.

"Então, estamos a defender a democracia. Vivemos tempos perigosos? sim, vivemos", continuou.

A publicação foi seriamente criticada na Alemanha, com o vice-presidente do parlamento europeu e membro do Partido Democrático Liberal, Alexander Graf Lambsdorff, a descrevê-la como "sem gosto" e o jornal Die Welt a dizer que esta ilustração "prejudica o jornalismo".

"É exatamente do que o Trump precisa: uma imagem distorcida dele que ele possa usar para distorcer a imagem dos meios de comunicação", escreveu ainda o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung.

Algumas pessoas fizeram uma comparação entre a capa da Der Spiegel e uma das cenas do filme Psicopata Americano, (American Psycho, no título original), que conta a história de um empresário de sucesso de Nova Iorque que é também um assassino.

A Der Spiegel não foi a única revista a criticar abertamente Donald Trump este fim de semana. A edição de aniversário da The New Yorker mostra uma ilustração da tocha da Estátua da Liberdade apagada, "como resposta às primeiras semanas da administração Trump".

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.