Festival da Eurovisão em Israel está em risco

Organizador do concurso publicou mensagem no Facebook para que os fãs não reservem já viagens para Israel. Politização do concurso é um dos receios

Israel venceu a Eurovisão no passado dia 12 de maio, em Lisboa. O que lhe garantiu o direito de receber a edição do próximo ano. Desde a vencedora, Netta, até ao primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, todos apontaram logo Jerusalém como a cidade anfitriã em 2019. Mas agora a União Europeia de Radiotelevisão (EBU, na sigla em inglês) veio apelar aos fãs que não comprem já os bilhetes para Israel.

Uma chamada de atenção feita no Facebook oficial da entidade organizadora do eurofestival da canção que alerta aos seguidores do concurso para esperarem por mais informação, a ser divulgada nos canais oficiais. Dando a entender que a realização do evento em 2019 pode não ser em Israel.

Segundo o jornal israelita Haaretz, a EBU tem receio da politização de que o concurso pode ser alvo, devido ao conflito israelo-palestiniano. Recorde-se que os EUA transferiram, a 14 de maio, a sua embaixada para Jerusalém, reconhecendo esta cidade como a capital de Israel. O que tem motivado uma escalada na violência entre israelitas e palestinianos.

Antes deste alerta, já os membros do governo israelita tinham levantado questões sobre a realização do concurso ao sábado (desde que há semifinais, que a competição se realiza às terças e quintas-feiras e a final ao sábado), uma vez que na religião judia este é o dia de descanso. A cerimónia está, no entanto, prevista para as 22.00, ou seja, duas horas depois do fim do Sabat. Enquanto os membros do governo pedem que a cerimónia não ponha em causa as tradições israelitas, o presidente executivo da EBU, Frank-Dieter Freiling, respondeu ao jornal Haaretz que o Sabat não deve ser uma condicionante.

Israel já acolheu a Eurovisão duas vezes - em 1979 e 1999. Da última vez já tinha havido alguma controvérsia, com os grupos ultraortodoxos a pedir para que não se realizasse em Israel, mas no Reino Unido ou Malta (os países que tinham ficado em segundo e terceiro lugar). Israel ganhou o concurso quatro vezes (1978, 1979, 1998 e 2018, mas nas primeiras vitórias não estava definido que o vencedor acolhia a edição do ano seguinte). Netta Barzilai foi a vencedora este ano com a música "Toy", cuja letra apoia o movimento feminista #MeToo.

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