Facebook acusado de partilhar dados de utilizadores com fabricantes de telemóveis

A rede social fundada por Mark Zuckerberg terá partilhado dados de utilizadores com, pelo menos, 60 fabricantes de telemóveis, avança o The New York Times

Apple, Samsung, Microsoft e Blackberry são alguns dos fabricantes de telemóveis com os quais o Facebook partilhou dados de utilizadores nos últimos 10 anos. A notícia é avançada pelo The New York Times.

Segundo a investigação do jornal norte-americano, o Facebook estabeleceu acordos com, pelo menos, 60 empresas, que tiveram acesso, sem o consentimento explícito, a vários dados pessoais dos utilizadores nos últimos anos, como a religião, tendências políticas, amigos, eventos e estado civil.

A rede social confirma os acordos com os fabricantes, mas desmente que tenham sido partilhadas informações pessoais dos utilizadores.

O Facebook terá permitido aos fabricantes o acesso a dados dos amigos de utilizadores "sem o consentimento explícito" dos mesmos

O The New York Times refere que as parcerias que a rede social estabeleceu com os fabricantes começaram antes de surgirem as aplicações do Facebook nos smartphones e tinham como objetivo expandir o alcance da rede social e permitir que as empresas oferecessem aos utilizadores várias funcionalidades da rede social em diferentes sistemas operativos.

O Facebook, escreve o jornal, "permitiu aos fabricantes o acesso aos dados dos amigos dos utilizadores sem o consentimento explícito" dos mesmos, apesar da partilha de informação estar desativada. A maior parte das parcerias ainda está em vigor, sendo que algumas começaram a ser extintas.

"Não temos conhecimento de nenhum abuso por parte dessas empresas", afirma o Facebook

"Isso foi sinalizado internamente como uma questão de privacidade. É chocante perceber que esta prática ainda possa continuar seis anos depois, e parece contradizer o testemunho do Facebook no Congresso [dos EUA] de que todas as permissões de amigos foram desativadas", afirmou ao The New York Times Sandy Parakilas, que na altura em que foram feitos os acordos com os fabricantes era responsável pela privacidade no Facebook.

Em reação ao artigo do jornal norte-americano, o Facebook confirma os acordos com os fabricantes, com o objetivo de criar "experiências parecidas com o Facebook", mas nega a partilha de dados pessoais dos utilizadores. "Contrariamente às alegações do The New York Times, informações de amigos, como fotografias, só eram acessíveis em dispositivos quando as pessoas decidiam partilhar as suas informações com esses amigos. Não temos conhecimento de nenhum abuso por parte dessas empresas", garantiu Ime Archibong, vice-presidente do Facebook, responsável pelas parcerias de produtos da rede social.

Recorde-se que no passado mês de abril, Mark Zuckerberg, fundador da rede social, esteve no Congresso norte-americano para dar o seu testemunho sobre a polémica à volta da empresa Cambridge Analytica, que usou, indevidamente, dados de 87 milhões de utilizadores do Facebook. "Não vendemos dados" dos utilizadores", garantiu na altura. Em maio, Zuckerberg foi ouvido no Parlamento Europeu e pediu desculpa pelo uso indevido de dados pessoais dos utilizadores.

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