Facebook incentiva utilizadores a enviar nus para evitar pornografia de vingança

Só em 2017, no Reino Unido, foram mais de mil os pedidos de ajuda de pessoas que foram vítimas de vingança pornográfica nas redes sociais

Pode parecer um contrassenso, mas o Facebook acredita que pode funcionar. Com o objetivo de diminuir a difusão de "pornografia de vingança" (revenge porn) nas redes sociais, a plataforma online está a incentivar as potenciais vítimas a adiantarem-se ao agressor e a partilharem com o sistema as fotos de nus, de forma a criar uma ferramenta para prevenir uma eventual violação de privacidade.

Esta ideia ainda está em teste. Assim, as pessoas preocupadas com a ideia de que fotos íntimas possam ser partilhadas por outros, devem contactar ​​​​o parceiro do Facebook neste teste.

No Reino Unido é a Revenge Porn Helpline que defende estas vítimas. O projeto lançado em 2015 tem visto os pedidos de ajuda aumentar anualmente. Em 2017, foram mais de mil.

A ideia começou a ser testada na Austrália, onde o Facebook se aliou a uma agência governamental, e agora será estendida aos utilizadores do Reino Unido, Estados Unidos e Canadá.

"Vemos várias situações em que fotos, ou talvez vídeos, são tirados, num certo ponto, de forma consensual, mas depois, sem qualquer tipo de consentimento, são enviados para uma audiência mais vasta", explicou Julie Inman Grant, comissária de e-Safety (segurança online) à ABC.

Como funciona

Depois do primeiro contacto, a equipa comunica com o Facebook e a possível vítima recebe um link para fazer o upload da foto.

Essa imagem apenas irá ser vista por "um grupo muito pequeno de cerca de cinco revisores especialmente treinados", revela a chefe global de segurança do Facebook, Antigone Davis, citada pela BBC.

Para a foto irá ser criada uma identidade única - hashing - que vai permitir ao sistema reconhecê-la e bloqueá-la caso alguém a volte a tentar publicar no Facebook, Instagram e Messenger.

As fotos originais não serão armazenadas

Questionada sobre se esta fórmula funciona a 100% contra a pornografia de vingança, Antigone Davis, citada pela BBC, admite que "não há essa garantia quando se trata de tecnologias de correspondência de fotos". Também há a agrantia de que as fotos não serão armazenadas, o que é guardado é a identidade única (hashing).

A "revenge porn" é um dos grandes flagelos que acompanhou o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e a aproximação das pessoas no mundo digital. "Pornografia de vingança", numa tradução literal, consiste em partilhar ou divulgar imagens íntimas, na maior parte das vezes de teor sexual. Isto, obviamente, sem a autorização das pessoas que são visadas e alvo da "vingança".

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