Ex-porta-voz da Casa Branca aparece de surpresa nos Emmy

O ex-porta-voz da Casa Branca Sean Spicer apareceu hoje de surpresa na 69.ª edição dos prémios Emmy, durante o monólogo inicial da cerimónia realizado por Stephen Colbert.

Colbert preparou a entrada de Spicer ao afirmar que não fazia ideia do número de pessoas que estaria a ver a cerimónia dos prémios Emmy, que distinguem as produções televisivas norte-americanas. Foi então que Spicer surgiu em palco atrás de um pódio -- ao estilo da interpretação de Melissa McCarthy que 'veste' a personagem do ex-porta-voz de Trump no programa "Saturday Night Live".

"Esta será a maior audiência de sempre a ver os Emmys, ponto final, ao vivo e em todo o mundo", disse Spicer.

A frase remeteu para a enorme multidão que Spicer disse ter marcado presença no dia da tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos, a 20 de janeiro deste ano.

"Wow, isso, realmente acalma o meu ego frágil", disse Colbert.

Sean Spicer esteve no centro de várias polémicas e ganhou protagonismo logo na primeira conferência de imprensa da era Trump, um dia depois da tomada de posse.

Diante de uma plateia de jornalistas, Spicer acusou os 'media' de terem mentido, sobre a fraca adesão pública à cerimónia, e garantiu que esta teve a maior assistência de uma tomada de posse "de sempre".

Em sua defesa surgiu entretanto outra figura próxima do círculo de Trump, a conselheira e ex-gestora da campanha presidencial Kellyanne Conway, que afirmou então que Spicer não forneceu informações falsas, mas sim "factos alternativos".

Sean Spicer demitiu-se em 21 de julho, tendo disso substituído pelo financeiro nova-iorquino Anthony Scaramucci, de 53 anos, que esteve pouco mais de uma semana em funções, acabando por ser despedido em 31 de julho.

A atual porta-voz da Casa Branca é Sarah Sanders.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.